Visão de melhora econômica anima investidor e Bolsa tem máxima no ano

Visão de melhora econômica anima investidor e Bolsa tem máxima no ano

Economia & Negócios

23 de outubro de 2016 | 05h00

Paula Dias

A percepção dos investidores, principalmente estrangeiros, de que existe uma melhora econômica em curso, às vésperas da votação em segundo turno na Câmara da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos, prevista para a semana que vem, levou a Bolsa de Valores de São Paulo a fechar nesta sexta-feira, 21, no valor máximo do ano, com o Índice Bovespa acima do nível de 64 mil pontos. Foi um ganho semanal de 3,79%. Outros fatores que alimentaram o ambiente positivo foram a redução da taxa básica de juros da economia (Selic), a desaceleração da inflação e um noticiário positivo para empresas estratégicas, como Petrobrás e Vale.

A taxa Selic caiu 0,25 ponto porcentual na última quarta-feira, pela primeira vez desde outubro de 2012. Nesta sexta-feira, mais um indicador, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de outubro, mostrou desaceleração da inflação, para 0,19%, taxa mais baixa do que esperavam os economistas consultados pelo Broadcast Projeções (0,21%), o que sinalizou um bom resultado para a inflação oficial do mês. No caso da Vale, há ainda uma expectativa positiva quanto ao resultado financeiro a ser anunciado na semana que vem. E isso abafou a notícia da denúncia de 22 pessoas (21 por homicídio) e quatro empresas pela tragédia envolvendo a Samarco em Mariana (MG). A prisão do deputado cassado Eduardo Cunha ficou em segundo plano.

Já o mercado de câmbio preferiu ficar na defensiva enquanto aguarda os desdobramentos dos próximos dias relacionados à prisão de Cunha. O dólar negociado à vista subiu encerrando a semana em R$ 3,1593. Foi determinante também o avanço do dólar no exterior em meio à visão de que uma elevação de juros nos Estados Unidos se aproxima. No mercado de juros futuros, a semana terminou com as taxas projetadas pelos contratos da BM&FBovespa em alta, refletindo a expectativa de que a Selic deve ser diminuída gradualmente.

Agrícolas. O preço da soja subiu 2% na Bolsa de Chicago (CBOT) esta semana, refletindo a forte demanda, principalmente da China. Nesta época do ano, com a colheita em andamento e a expectativa de uma safra recorde, a tendência deveria ser de preços mais baixos. No entanto, analistas acreditam que a forte procura pela soja norte-americana vai absorver boa parte da produção volumosa e evitar um aumento muito acentuado dos estoques. Com isso, em outubro, os preços do grão acumulam uma alta de 3%.

Para avaliar o fôlego desse movimento, na segunda-feira, investidores estarão atentos ao relatório semanal de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura norte-americano, que dará uma ideia sobre o andamento da colheita nos EUA. Até o último domingo, os trabalhos estavam 62% concluídos, praticamente em linha com a média dos últimos anos para esta época do ano.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o destaque da semana foi o suco de laranja, com alta de 6,4%. Os preços sobem com a perspectiva de uma produção reduzida na Flórida. No último dia 12, em sua primeira estimativa para a atual temporada, o USDA projetou que produtores do Estado devem colher a menor safra desde o ciclo 1963/1964.

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