Vivo dá primeiro passo no ramo financeiro com lançamento de crédito pessoal

Vivo dá primeiro passo no ramo financeiro com lançamento de crédito pessoal

Circe Bonatelli

14 de outubro de 2020 | 05h00

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Após quase um ano em projeto piloto, a Vivo lançará na próxima segunda-feira, 19, a operação comercial do Vivo Money, linha de crédito pessoal que pode ser contratada de forma digital pelos clientes dos planos controle e pós-pago. A operadora estima que cerca de dez milhões de consumidores sejam elegíveis à tomada de crédito. Este é o primeiro passo de uma longa caminhada da Vivo no ramo financeiro, onde vê potencial para trabalhar com serviços variados.

A iniciativa faz parte de uma estratégia vista cada vez mais entre as empresas de telecomunicações: ganhar um dinheiro extra transformando seus canais de comunicação com os milhões de usuários em vitrines para a oferta de produtos e serviços de outros setores, como financeiro, educação, saúde e varejo. E o financeiro é o mais rentável.

Outras operadoras também estão seguindo o mesmo caminho. A Claro lançou recentemente o SmartCred, serviço de crédito pessoal em parceria com o Banco Inbursa. A TIM virou sócia do C6 Bank e direciona seus clientes para recargas, pagamento de fatura do pós-pago até a abertura de contas no banco digital. E a Oi e a fintech Conta Zap analisam a criação de uma joint venture de conta digital destinada a atender o público de menor renda.

Como funciona. Por sua vez, o Vivo Money oferecerá linhas de crédito entre R$ 1 mil e R$ 30 mil, com taxas de juros mensais entre 1,99% e 9,99%, dependendo da análise de risco de cada cliente, que pode ser pessoa física ou micro e pequena empresa. Se aprovado, o crédito é depositado em até dois dias úteis no banco de preferência. Já o pagamento pode ser feito via boleto bancário ou débito automático, em um prazo entre 6 e 24 meses.

A operação comercial está sendo lançada após um piloto feito entre agosto de 2019 e abril de 2020. “Percebemos que houve uma aderência muito grande da marca Vivo para serviços financeiros. Foi uma surpresa boa”, conta o diretor da Vivo Money, Sandro Sinhorigno. “Chegamos a localidades que não tinham agências de empresas financeiras dedicadas à concessão de empréstimos”, complementa.

Sinhorigno foi contratado há seis meses pela Vivo, saído do Itaú Unibanco. No currículo carrega 20 anos de experiência no mercado financeiro, onde trabalhou com crédito, produtos de varejo, controle de risco e prevenção à lavagem de dinheiro.

Na visão do executivo, há muito potencial de crescimento da operadora no ramo financeiro, tendo em vista a base de 45 milhões de clientes da Vivo no Brasil e a enorme capilaridade dos canais de venda e comunicação.

“É um primeiro passo da empresa no mundo dos serviços financeiros. Temos planos de avançar e contamos com muita coisa para analisar no pipeline”, antecipa, referindo-se à possibilidade de uma diversificação no ramo daqui para frente.

Modelo do negócio. A arquitetura do Vivo Money envolve parceria com um conjunto de agentes financeiros responsáveis por diferentes etapas da operação, desde apoio na análise de crédito até a emissão dos títulos de dívidas. O parceiro master é a Captalys, gestora especializada em crédito, que ajuda a gerenciar a integração com os demais agentes.

Mas o dinheiro para os empréstimos é da própria Vivo, que fez um aporte de valor não revelado para constituir um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) no qual é a única cotista. “No futuro, consideramos abrir ao mercado para mais cotistas”, comenta Sinhorigno.

A operadora obtém uma remuneração pela diferença (spread) entre o custo de captação do dinheiro e a taxa de concessão dos empréstimos. E a tele paga aos parceiros pelos serviços prestados.

Contato: coluna.broadcast@estadao.com

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