Vivo vai vender ao menos 1.350 estações recebidas da Oi Móvel

Circe Bonatelli

28 de abril de 2022 | 17h00

Gebara, presidente da Telefônica Brasil. Foto: JF Diorio/Estadão

A Telefônica Brasil (dona da Vivo) vai colocar à venda ao menos 1.350 estações rádio-base (ERBs) que receberá da Oi Móvel. O montante corresponde à metade do total de 2.700 ERBs que serão transferidas entre as empresas como parte da venda e fatiamento das redes móveis da Oi entre Vivo, TIM e Claro.

A venda de metade desses equipamento foi uma exigência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para atenuar a concentração gerada pela saída de uma concorrente do mercado de telefonia e internet móvel, deixando apenas três teles com abrangência nacional no setor.

Cade

Em entrevista exclusiva ao Broadcast, o presidente da Telefônica Brasil, Christian Gebara, afirmou que o próximo passo da companhia será analisar a condição das ERBs para, em seguida, organizar o processo de alienação. Tudo, entretanto, ainda é incipiente. “Não é óbvio (vender as ERBs). Foi uma demanda do Cade que nós não estávamos esperando. Então, vou colocar à venda e seguir a exigência”, ressaltou.

Gebara disse que o mercado de ERBs é “novo” para a Telefônica. Não se sabe ainda qual o estado de preservação dos equipamentos que serão recebidos, sua localização exata ou se há interessados em adquirir tais equipamentos. Existe a possibilidade de que ao menos uma parte dos equipamentos da Oi já esteja em áreas onde a Vivo tem suas próprias unidades, o que levaria ao seu desligamento de qualquer forma.

Herança

Além do equipamento, a Telefônica também herda os contratos de locação do espaço onde ficam as estações rádio-base, geralmente em torres. Mesmo que haja sobreposição de equipamentos, a Telefônica terá que seguir pagando o aluguel ou negociar com a dona das torres uma rescisão para desligamento. “Dos 2.700 sites, talvez eu tenha alguma sobreposição, mas é preciso negociação do contrato para sair”, ponderou.

A determinação do Cade de venda de 50% das ERBs até o fim do ano vale também para a TIM. Nesta semana, a tele anunciou que irá desativar 60% das 7.200 ERBS recebidas – porcentual acima do exigido pelo órgão anticoncorrencial – porque identificou sobreposição de unidades.

Gebara preferiu não citar um número exato de unidades que serão alienadas porque as sobreposições ainda estão em estudo. Sem contar que não se sabe se há compradores para esses ativos, segundo ele.

O mais importante, na avaliação do presidente da Telefônica Brasil, não é o potencial benefício das teles na economia com a manutenção das ERBs, mas sim na tendência de melhora na qualidade do serviço prestado aos consumidores. Isso porque a infraestrutura da Oi estava defasada em comparação à de Vivo, TIM e Claro.

“Eram equipamentos de 3G e 4G. Ao migrarem para a Vivo, terão sites aptos para oferecer 4G e 5G que está chegando. É uma melhoria para os consumidores da Oi e para a digitalização de todo o País”, defendeu o executivo.

Novos clientes

Gebara afirmou que vê muito potencial para ofertar a gama de serviços do portfólio da Vivo aos 12,5 milhões de clientes que estão sendo transferidos da Oi para a companhia. A base de clientes da Vivo passará de 100 milhões para 112 milhões, dos quais 97% são de redes móveis.

Na visão dele, há muito espaço para ofertas convergentes, isto é, que reúnam pacote de telefonia e internet móvel e também de serviços fixos, como banda larga. O executivo frisou que a rede de fibra ótica da companhia será o motor desse movimento de exploração de novas ofertas, combinado com serviços financeiros, de saúde e educação, entre outros.

O presidente da Telefônica Brasil ainda reiterou a expectativa de lançar o 5G na sua versão ‘pura’, dentro da faixa de 3,5 Ghz, até o fim de julho, conforme prazo estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para isso, é preciso que a limpeza da faixa seja concluída um mês antes. “Estamos confiantes de que vai acontecer dentro do prazo”, destacou.

Enquanto isso, a tele lançou o 5G na faixa de 2,3 Ghz, que consiste em uma evolução importante frente ao 4G em termos de velocidade de navegação e tempo de resposta entre os equipamentos (latência), mas não atinge o máximo da qualidade como será possível na faixa de 3,5 Ghz.

Segundo Christian Gebara, o 5G no 2,3 Ghz está avançando via testes e lançamentos comerciais em várias cidades, mas para deslanchar mais ainda é preciso uma popularização dos celulares aptos a rodar a nova geração de internet.

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 28/04/22, às 12h30.

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