Warren Buffett perdeu R$ 4,4 bi este ano com Nubank e Stone

Warren Buffett perdeu R$ 4,4 bi este ano com Nubank e Stone

Matheus Piovesana

25 de maio de 2022 | 05h23

O megainvestidor Warren Buffett  Foto: Bloomberg/Houston Cofield

As únicas duas investidas brasileiras de Warren Buffett têm sido sinônimo de perdas neste ano. Juntas, as fatias da Berkshire Hathaway no Nubank e na Stone desvalorizaram R$ 4,4 bilhões desde janeiro. A forte baixa das duas empresas do setor de tecnologia, diante de preocupações dos investidores globais com a alta de juros e também com a economia brasileira, é amplificada pela valorização do real no mesmo período.

Buffett investe no Nubank desde antes da chegada da fintech à Bolsa, em dezembro de 2021. Na Stone, entrou na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em 2018. No ano passado, enquanto a Stone ainda negociava acima do preço da oferta, mas já abaixo das máximas, a Berkshire vendeu parte de sua posição. Neste ano, manteve intactos os dois investimentos.

Nubank já caiu 64% em 2022

A baixa mais forte em 2022 foi a do Nubank, que caiu 64% após ter feito uma das maiores vendas de ações de ações nos Estados Unidos no ano passado. A companhia chegou ao mercado como a empresa financeira mais valiosa da América Latina. Hoje, vale R$ 73,4 bilhões, menos que todos os grandes bancos brasileiros listados – o que inclui BTG Pactual (R$ 117,3 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 108,2 bilhões).

A preocupação do mercado internacional é com uma piora nos índices de inadimplência dos clientes do neobanco diante da alta da inflação. No primeiro trimestre, a resposta da fintech ao cenário foi acelerar seu crescimento, na contramão de pares como o Inter.

Após forte queda em 2021, Stone tenta virar a página

A Stone está em outro estágio. Os papéis despencaram no ano passado após os problemas que teve na concessão de crédito, paralisada em meados de 2021. O que a companhia busca, agora, é virar a página, com o futuro relançamento das linhas de crédito e reajustes de preços aos clientes.

O problema é que o investidor não quer pagar para ver. Com o aperto monetário no Brasil e nos Estados Unidos, o mercado financeiro tem preferido ações de empresas estabelecidas, que geram caixa e pagam dividendos, dado que o custo do dinheiro subiu. Não por acaso, as ações americanas de Itaú e Bradesco sobem 42% e 21% neste ano.

Até aqui, Buffett não aproveitou as quedas de suas duas investidas para “comprar na baixa”, como reza a cartilha dos grandes investidores. No setor financeiro, enxergou uma pechincha em outro banco: o Citi. Ao longo do primeiro trimestre, a Berkshire Hathaway comprou mais de 55 milhões de ações do conglomerado americano, avaliadas em R$ 14 bilhões – soma algumas vezes maior que a dos valores de suas participações no Nubank e na Stone.

As duas empresas brasileiras são uma pequena fração das participações da Berkshire em empresas de capital aberto, que somam algo em torno de R$ 1,6 trilhão; no começo do ano, eram R$ 1,9 trilhão. De lá para cá, a companhia comprou algumas ações, como as do Citi, e perdeu muito dinheiro em outras – na Apple, cerca de US$ 30 bilhões.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 24/05/22, às 16h36

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