XP cresce em meio à pandemia, faz três aquisições no ano e mira clientes de bancões

XP cresce em meio à pandemia, faz três aquisições no ano e mira clientes de bancões

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt

11 de junho de 2020 | 13h26

Por Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt

São Paulo, 10/06/2020 – Se a pandemia significou encolhimento para muitas empresas, para a XP Investimentos foi um momento em que os negócios aceleraram. No ano, a maior corretora do País já fez três aquisições em áreas distintas, com foco em complementar sua plataforma. Antes de lançar sua conta digital, quando fincará o pé em serviços bancários, a XP dá tração a algumas frentes de negócios, a fim de ganhar musculatura e atrair os brasileiros que investem por meio dos grandes bancos, grupo estimado em 90% do total de investidores. No mercado, o comentário é que a XP não deve parar por aí, uma vez que existem ainda muitas outras fintechs de boa qualidade disponíveis para compra.

O sócio e diretor financeiro da XP, Bruno Constantino, afirmou, ao Broadcast, que o objetivo das aquisições é complementar o ecossistema de investimentos para que, no final do dia, a estrutura esteja plena para concorrer, de frente, com os grandes bancos. “Os concorrentes são sempre os grandes bancos, que por raízes históricas no Brasil acabaram concentrando tudo da indústria financeira”, disse. O executivo explica que as negociações das aquisições anunciadas em meio à pandemia vêm de longa data, mas que foi agora que os negócios maturaram. “Processos de M&A são demorados”, diz. O olhar foi em fintechs que podem ajudar a acelerar o crescimento da empresa, complementa.

 

Embora os anúncios feitos até o momento estejam relacionados a conversas que começaram antes da pandemia, o universo das fintechs tem sido desafiado pela crise, algumas atingidas pelas dificuldades de liquidez. E o grupo é muito grande no Brasil: existem cerca de 600 fintechs no mercado, de acordo com estimativa da ABFintechs, sendo um terço delas com operações concentradas em crédito.

Em fevereiro, a primeira ida ao mercado resultou na compra de uma fatia minoritária da gestora Augme, casa especializada em fundos de crédito de alto retorno e alto risco, de olho no ambiente de juros baixos no País e da crescente necessidade de diversificação dos investidores. Já nesta semana veio o anúncio de outras duas transações: uma majoritária na Fliper, fintech que faz a consolidação de contas de corretoras e bancos, unindo em uma mesma tela as informações de um usuário em diferentes instituições financeiras; e a fintech de seguros DM10, marketplace que conecta distribuidores independentes com produtos de seguro de vida e plano de previdência. Segundo Constantino, os produtos de seguros e previdência são altamente concentrados nos grandes bancos e, com a chegada da DM10 ao guarda-chuva da companhia, haverá mais uma opção aos investidores.

Com três aquisições em segmentos diferentes, a XP abraça mais áreas, que podem garantir que, no fim da jornada, o cliente faça mais negócios com a corretora. A cereja deverá vir no momento em que a companhia passar a ofertar serviços bancários tradicionais, o que a preparará para buscar, já equipada, aqueles que investem por meio dos grandes bancos. A agenda de entrega da conta digital, que será conectada à plataforma e permitirá ao cliente ter cartões e pagar contas, por exemplo, está mantida para o fim do ano, diz Constantino.

O diretor financeiro da XP afirma que a companhia segue atenta às oportunidades de negócios. “A área proprietária está ativamente buscando oportunidades de negócios complementares ao ecossistema”, disse. Além do crescimento inorgânico, é de se esperar que a XP traga novidades ao mercado concebidas dentro de casa. Neste ano, por exemplo, lançou uma nova plataforma voltada aos gestores de carteiras.

Mesmo com a pandemia, a XP reportou crescimento para R$ 366 bilhões no volume de ativos sob custódia, de janeiro a março, e para R$ 385 bilhões, considerando o mês de abril. Embora abaixo dos R$ 409 bilhões do quarto trimestre, o dado foi bem recebido, uma vez que os volumes deste ano contabilizam a forte desvalorização sofrida pelos ativos. O crescimento também foi notado com a clientela: a XP encerrou o primeiro trimestre com 2,039 milhões de clientes ativos, expansão de 20% ante o visto em dezembro. Ante março de 2019, o aumento foi ainda mais expressivo, de 81%.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com e cynthia.decloedt@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: