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A distância entre intenção e gesto

Iuri Dantas

29 de julho de 2013 | 15h58

Não há novidade em dizer que o governo perdeu a credibilidade de economistas, e da população em geral, na área fiscal. O nome é feio, mas significa basicamente o que o Poder Executivo faz com o dinheiro que retira do bolso do sujeito na forma de impostos. Quando gasta muito, chamam de política expansionista. E isso costuma pressionar a inflação. Quando deixa de gastar e permite ao setor privado ocupar espaços na economia chama-se… Bem… Aí estamos falando de países um pouco mais desenvolvidos.

Na semana passada, descortinaram-se algumas outras farsas no discurso oficial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na segunda-feira que o governo deixaria de gastar R$ 10 bilhões do Orçamento. Mas não era bem assim, economistas consideraram um embuste. Uma pesquisa feita pelo Banco Central divulgada hoje mostra, por exemplo, que o mercado passou a esperar um resultado pior das contas públicas depois do anúncio.

Há mais. O Tesouro confirmou que vendeu apenas no mês de junho R$ 23 bilhões em dívida para bancar juros mais baixos da Caixa Econômica Federal e do BNDES. Injustamente ou não, críticos malham a atuação do BNDES. O banco tem mais de R$ 10 bilhões a receber do ex-bilionário Eike Batista.

Mas o problema nas contas públicas não parou por aí: a promessa da comandante-em-chefe da economia nacional, presidente Dilma Rousseff, de maior responsabilidade nos gastos não apareceu ainda. As despesas do governo cresceram quase ao dobro do ritmo das receitas. Resultado: a economia para pagar juros caiu quase um terço no primeiro semestre do ano.

Em toda decisão, o governo escolhe vencedores e perdedores. Ao juntar o anúncio e os dados divulgados uma coisa fica bem clara no governo do Partido dos Trabalhadores: os vencedores emprestam dinheiro a juros subsidiados do BNDES e da Caixa, que financiará eletrodomésticos para mutuários do Minha Casa, Minha Vida. Por isso colocou R$ 23 bilhões nos dois bancos somente em junho. Bilhões.

Os perdedores? O Ministério da Fazenda desautorizou publicamente o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Consta que o incauto pedetista defende mudança nas regras de seguro-desemprego para melhorar a vida de quem foi demitido. Custa R$ 250 milhões por ano. Milhões.

 

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