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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

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Discurso frio, problema quente

À parte o baixo crescimento e a inflação resistente, a economia brasileira tem desafios importantes a enfrentar para se tornar mais moderna, dinâmica, produtiva e competitiva no cenário global. Recomenda-se uma boa dose de paciência aos que, a dois meses das eleições, esperam ouvir respostas claras e planos objetivos dos principais candidatos ao Palácio do Planalto.

Iuri Dantas

31 de julho de 2014 | 09h22

Ao convidar os três candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto para uma sabatina ontem, a Confederação Nacional da Indústria desejava esclarecer os planos da presidente Dilma Rousseff (PT), de Aécio Neves (PSDB) e de Eduardo Campos (PSB) para a condução da política econômica e tentar antever como vai ser a vida do empresário nos próximos anos. Os industriais ouviram dos três diagnósticos semelhantes e vacinas conhecidas e pleiteadas há décadas. Parece um consenso político nacional sobre como seguir em frente. Não é.

Os dois opositores, com detalhes saborosos de lado a lado, tentaram vender a mesma agenda: cortar impostos e aumentar as vendas para o exterior. Ou, na linguagem de campanha presidencial, fazer a reforma tributária e negociar acordos comerciais com outros países.

Na trincheira da guerra de confiança deflagrada nos últimos meses, a presidente Dilma, por sua vez, tentou convencer a plateia de que seu partido passou os últimos 12 anos no poder construindo as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. Isso porque teria recebido o País em frangalhos. Não precisava, por isso não explicou por que seu antecessor manteve as bases econômicas lançadas pelos tucanos e o quanto isso ajudou o governo Lula.

Sob o slogan “Mais Mudanças, Mais Futuro”, ela defendeu a desoneração da folha de pagamentos, ampliação do Super Simples e cortes pontuais de IPI para indústrias selecionadas como a reforma de tributos que os outros prometem. Vangloriou-se das concessões em infra-estrutura, anos depois de lançar um programa de obras públicas com forte presença do Tesour Nacional e estatais, o PAC. Em resumo, as mudanças adicionais na área econômica parecem ser o aprofundamento de medidas que, até o momento, não ajudaram o País a crescer mais de 2%. Dilma deixou claro, ainda, que em seu governo não haverá flexibilização das leis e direitos trabalhistas.

Apoiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estabilizou a economia mas não fez seu sucessor, o tucano Aécio Neves assegurou que elevará a taxa de investimentos do País, que vem patinando há anos. Atacará gargalos logísticos, mudará a atuação do governo no câmbio e agirá melhor na condução da política de juros. Como? Não disse.

Ex-ministro de Lula, o pessebista Eduardo Campos afirmou que fará uma reforma tributária no primeiro ano de governo e atacou a “velha política”, salientando ser o único capaz de superar a armadilha de um “patrimonialismo de coalizão”. Mudança tributária hoje exige apoio de deputados, senadores e governadores para dar certo. Como resolver esse ninho de interesses tão difusos? Não explicou.

Desde a chegada do Plano Real há duas décadas, governistas e oposicionistas revezam as mesmas propostas. No governo, apostam no que fazem, apesar dos resultados pífios e do atraso nacional em relação aos países que concorrem com os produtos brasileiros. Na oposição, prometem resolver a questão dos impostos, tapar os furos do governo de plantão e manter o diálogo com o setor empresarial para avanços ainda mais bacanas.

O País vive uma tremenda crise de confiança, com puxões de orelha freqüentes e sinais cada dia mais evidentes de que está ficando para trás na arena global. A indústria vem rateando desde 2010 apesar de 30 pacotes de incentivo. As contas públicas estão desacreditadas que só. A modernização da economia brasileira é um imperativo cada vez maior.

O discurso dos candidatos a dois meses da eleição, no entanto, ainda não tem a alta temperatura dos desafios econômicos.

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