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Gestão capenga joga lenha no aumento da gasolina

Iuri Dantas

25 de agosto de 2013 | 23h01

Foto: Dida Sampaio/AE.

Começou a contagem regressiva para o aumento da gasolina e do diesel. Depois que o IBGE se transformou no arauto de más notícias do governo Dilma Rousseff, por contar ao País a quantas andam o baixo crescimento da economia, a alta da inflação, a estagnação no varejo e outros tantos, vale o alerta de que a comandante-em-chefe das finanças nacionais pode baixar decreto banindo o relógio como instrumento do imperialismo-capitalismo. Assim, resolveria de vez o atraso que marca algumas de suas atuações.

Parece que foi ontem, dona Dilma assumiu a Casa Civil com fama de gerentona. Ia fazer e acontecer, colocar o governo em uníssono, na direção certa, depois que Jose Dirceu perdeu o cargo por envolvimento no mensalão. Meses depois, Antonio Palocci, caiu do Ministério da Fazenda no escândalo da quebra de sigilo do caseiro Francenildo.  Pois Dilma era bem diferente. Cuidaria dos assuntos dos ministérios. De quebra, arrumaria a casa na Petrobras, como presidente do Conselho de Administração. Mais: pariu um calhamaço de obras públicas. Era a “mãe” do Programa de Aceleração do Crescimento.Noves fora a piada fácil, pois crescimento que é bom necas, ia na direção certa. Afinal, se o PAC deslanchasse de verdade no mundo real, talvez as filas de caminhões no porto de Santos não existiriam. Havia de tudo no pacotaço. Até refinarias de petróleo. Isso, em janeiro de 2007. O programa terminou sendo muito positivo. Afinal de contas, não seria possível dizer que as obras ficaram no papel se papel não houvesse, certo?

Passados seis anos e sete meses do lançamento, o governo admite indiretamente sua falha em resolver sozinho os gargalos logísticos, ao propor a privatização de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos. Se era o melhor, por que não foi feito antes dessa forma? Por que engordar o caixa da Valec, do DNIT? Foi possível ler nos jornais que a maior empreiteira do PAC estava em maus lençóis, que o presidente da estatal de ferrovias desviou algumas centenas de milhões de reais. Ah, todo mundo sabe que a suposta faxina de 2011 começou na área de Transportes. Ou na Casa Civil, com a demissão de Antonio ‘Consultor’ Palocci, depende do ponto de vista.

Faz bem o governo em vender infraestrutura para o setor privado. Evita vexames, para dizer o mínimo, e ainda permite que as obras aconteçam de fato. Um capital político que é usado exclusivamente pela dirigente do País. Além disso, diminui o peso do Estado, que não funciona. Foi por discordar dessa premissa universal que dona Dilma se meteu a empreendedora e “gerentona”.

Voltemos à gasolina e ao óleo diesel. O governo embalou-se na utopia ufanista de que o petróleo ultraprofundo do pré-sal resolveria boa parte dos nossos problemas. Afinal, os depósitos oferecem aquela foto mágica de presidente (a) com as mãos sujas do negro óleo. Como os texanos em 1901. Pena que a geologia seja uma filha tão ingrata. Não se colhe gasolina ou diesel das profundezas do Atlântico. É preciso refinar.

Daí vem o problema da Petrobrás. E não do câmbio. O dólar disparou. Subiu nas últimas semanas por dois motivos. Nos Estados Unidos começa a surgir uma fumaça de que a crise acabou, depois que o Banco Central de lá jogou mais de US$ 3 trilhões no mercado. Que o dinheiro retornaria para as terras yankees qualquer padeiro economista sabia prever. Até no governo, mas não a ponto de preparar o País para isso. Claro, o segundo motivo diz respeito ao modo como o genovês Guido Mantega conduz a economia.

A Petrobras sofre com o dólar forte, pois exporta petróleo cru e compra derivados a preços internacionais. Enquanto passava dias maquinando o novo modelo de exploração de petróleo, usado por países como Angola, Nigéria e Venezuela, Dilma talvez não tenha percebido. Havia duas refinarias previstas no PAC, que reduziriam a importação de derivados de petróleo ao produzi-los aqui.

Ao lado de seu estadista preferido, Hugo Chávez, Lula lançou uma proposta bolivariana em terra brasilis. Os países construiriam juntos uma refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, onde nasceu o petista. Até o nome foi peculiar: o general José Inácio de Abreu e Lima lutou nas guerras de independência da América espanhola. Respondia a Simón Bolivar. Tinha tudo para dar certo. O primeiro balanço do PAC previa a conclusão da empreitada em janeiro de 2011. Até hoje continua no papel, mas o preço subiu às alturas. Ainda falta concluir 25% das obras.

A segunda refinaria do PAC sairia até março de 2012. Responde pelo nome de Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, alcunha Comperj. Virou, nas palavras da imprensa especializada, a maior obra-mico do País. Exemplo: de petroquímico, não tem mais nada. Só refino mesmo. Vai custar mais que o dobro do que disse Luiz Inácio. Da mesma forma, permanece nos escaninhos da burocracia, enquanto o custo chega à estratosfera. Pode sair em 2016.

Levando isso em conta, a vida de presidente(a), chefe do conselho da Petrobras ou coordenador(a) do PAC poderia até ficar mais fácil. Não vale querer atenção só porque é dono(a) da bola. Basta comer as verduras, lavar atrás da orelha e fazer o dever de casa direitinho.

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