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Intervencionismo de Dilma presenteia Brasil com pibinhos no horizonte

Iuri Dantas

19 de agosto de 2013 | 12h55

O ministro da Fazenda, Guido Mantega: erros que custam caro. Foto Dida Sampaio/AE.

A crise transformou o mundo, sabemos disso. Tornou mais difícil ser presidente de Banco Central, ministro da Fazenda, até presidenta da República. Conseqüências umbilicalmente atadas à maneira Dilma Rousseff de comandar a economia são os fenômenos conhecidos como Pibinho, inflação alta e juros baixos, economia mais fechada do G-20, protecionismo, pessimismo com o curto, médio prazo e até o fim do mundo.

Sim, Dilma assumiu  o comando da economia e isso não deu muito certo nos últimos 32 meses. Convenhamos. Se o governo pudesse se chatear com essa situação seria ótimo. Melhor ainda se Dilma transformasse o megafone em cotonete. Consta que ela vem convocando reuniões para explicar melhor os seus projetos. E ainda há oportunidades em que ouve o que não quer. Ponto para a presidente, que antes não ouvia muito alguém fora de seu entourrage. Esqueceram de contar, era para levar em conta os pedidos e mudar um bocadinho essa nova economia batizada de nova matriz macroeconômica.

E ainda mais difícil de entender, é ter orgulho em responder, quando gente muito séria pede uma troca de cadeiras, que Guido Mantega é intocável. Além de dar ao caro genovês uma  ilusão de poder que ele não tem. Convenhamos. Tipo: não consegue transformar dois anos de estagnação numa história feliz. Ou de querer ganhar com a vitória de outros. Tipo: não faz sentido se vangloriar do dólar mais alto só porque o câmbio ajudou aos que sempre quiseram câmbio forte.

Das duas, uma. É o que os economistas dizem nas entrelinhas dos últimos dias. Um grupo acredita que Dilma não sabe como resolver os problemas que sempre atravancaram o crescimento economico e dar respostas certas agora. A outra parte já dá de barato que ela vai continuar manobrando para atingir as metas fiscais e tenta fazer dinheiro com isso. Mas não pintam um bom cenário para a economia do País neste ano e no próximo. Mais juros. Aumento do desemprego.

Ah! E pibinhos… Minúsculos.

O genovês está na equipe desde os programas economicos das campanhas eleitorais de Lula. Era de se esperar que um dos 20 pacotes que lançou para deslanchar a economia apresentasse resultados dignos do bom humor do ministro. Não mesmo. A maioria dos pacotaços de Mantega era voltado para algumas industrias, que vão muito bem, obrigado. E se precisam, demitem apesar dos bilhões de renúncia fiscal. Ultimamente, quem gerou emprego foi a agricultura e grandes eventos. Antes, era serviços.

Aproxima-se o dia em que o governo será confrontado com a realidade. Perdemos a grande oportunidade dada pela crise financeira internacional para colocar a casa em ordem. As medidas do governo, em alguns casos, a situação piorou. O intervencionismo estatal afastou a economia nacional dos bons companheiros, que continuaram crescendo na América Latina apesar dos ventos desfavoráveis lá fora. Toda crise traz, em si, a necessidade de um ajuste. Isso o Brasil não fez.

O governo jogou tudo para segurar o câmbio. . O caminho não é brincar com a cotação, mas dar reais motivos de que o Brasil é um bom negócio. O governo   esquece que o dólar forte de hoje, é inflação alta amanhã. E amanhã é eleição. O eleitor sempre premiou quem trata bem a economia. A ver o destino de quem maltrata a pobre coitada.

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