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Volta Dilma

Iuri Dantas

31 de julho de 2013 | 15h01

Roberto Castro/AE

A economista Dilma Rousseff chegou ao Planalto Central em 2003 para assumir a encrenca do Ministério de Minas e Energia pós-racionamento. Consta que fez um bom trabalho. Reformulou as regras do setor elétrico, interligou as diversas pontas do País, baixou um marco regulatório para a exploração de gás. De quebra, assumiu a Petrobras na era do petróleo em alta. Construía ali a fama de gerentona, gestora eficiente. O País precisa de uma Dilma dessas.

Em 2006, assumiu a Casa Civil. Noves fora umas Erenices da vida, botou o governo para trabalhar, coordenou o novo marco de exploração do pré-sal. Vá lá, apenas Arábia Saudita, Venezuela, Irã e México usam do mesmo expediente. Mas ela acertou na mosca com o Programa de Aceleração do Crescimento, o Brasil precisa de infra-estrutura decente. Faz coisa de 500 anos que o negócio do País é plantar, colher, embarcar em navio e mandar para fora. Justamente o que travou na última safra. Daí a relevância do PAC. Essa é a Dilma necessária neste momento.

Ungida por Luiz Inácio Lula da Silva, a petista sagrou-se a 36a presidente da República. Não é café pequeno. Pela primeira vez desde a chegada de Cabral, o marinheiro, um presidente eleito democraticamente fez o sucessor, e ainda do mesmo partido. Chegou abalando: demitiu envolvidos em denúncias, lançou um plano ambicioso para cortar impostos, prometeu construir creches e concluir o Sistema Único de Saúde. Cadê essa Dilma?

A economia parou em 2012 e vem rateando neste ano. Inflação acima da meta já não é mais assunto, acostumados que estamos ao fato. As contas públicas estão um desastre: manobras fiscais, repasses obscuros e sem explicação. A “redução” da tarifa de energia vai custar R$ 35,26 para cada brasileiro. E a conta pode aumentar. As obras do PAC só atrasam. As concessões, idem. O Congresso apronta e ainda ganha de lambuja R$ 6 bilhões em tempos de cinto apertado na Esplanada dos Ministérios.

Em uma rara entrevista, publicada no domingo passado, Dilma contou à Folha de S.Paulo que o ‘Volta Lula’, entoado por alguns petistas, não faz sentido. Lula não voltaria porque nunca foi. Daquelas frases fortes que não fazem sentido algum. Na mesma toada, talvez um ‘Volta Dilma’ não seja compreensível. Essa não volta. Talvez porque não fosse tão real assim.

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