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Alarme fiscal soa no exterior e traz tema de volta às atenções

19 de abril de 2011 | 10h10

O alarme fiscal agora está soando em diversos cantos do planeta. Não bastassem os temores com a possibilidade de reestruturação de dívida da Grécia, a Standard & Poor’s assustou os mercados ontem ao colocar o rating AAA dos Estados Unidos em perspectiva negativa. O tema da deterioração das contas públicas volta com tudo ao centro das atenções dos investidores.

 Leituras diversas estão sendo feitas sobre os desdobramentos da decisão da agência. Alguns acreditam que o alerta pode servir de empurrão político para estimular democratas e republicanos rumo à política de contenção fiscal pós-crise. As dúvidas recairiam, então, nos efeitos de um potencial aperto sobre o crescimento econômico norte-americano, que acaba de engatar recuperação.

 No campo da política monetária, fica enterrada de vez a possibilidade de nova rodada de compra de títulos públicos (o chamado “QE3”), que já era descartada pelos analistas. Sai reforçada a percepção de que o programa termina em junho, como previsto. Esses fatores inclusive pesam sobre o petróleo hoje, que recua perto de 1%, enquanto as bolsas europeias e o euro conseguem engatar recuperação, amenizando os movimentos bruscos da véspera.

Não deixa de causar desconforto o fato de a iniciativa da S&P ter vindo logo após o anúncio do plano de redução de déficit de US$ 4 trilhões pelo presidente Barack Obama. Mas, como se sabe, timing não é mesmo o forte das agências de rating.

 Apesar de ter gerado uma onda vendedora nos mercados ontem, há quem questione a extensão da medida da S&P. “Os EUA podem imprimir sua própria moeda e o custo da impressão é menor do que o custo de um default”, diz Paul Donovan, economista do UBS. Para ele, os investidores irão prefeririam abrir mão das agências de risco como árbitros de seus portfólios do que ter de abandonar os ativos mais líquidos do mundo. Os títulos dos EUA são considerados livres de riscos em todos os modelos de investimentos.

 De qualquer forma, o anúncio teve conteúdo simbólico relevante. Para o estrategista-chefe do Deutsche Bank, Jim Reid, pode ser um marco importante na histórica econômica. “18 de abril de 2011 foi o dia em que um super ciclo de 30 anos de alavancagem privada e pública ao redor do mundo desenvolvido finalmente atingiu a parte mais elevada de sua estrutura de capital”, escreve, em comentário aos clientes.

 Os Estados Unidos possuem a nota máxima AAA desde que o sistema de ratings foi criado, em 1941. No início dos anos 1990, a S&P introduziu a perspectiva estável e só agora mudou para negativa – apontando que o rating pode ser rebaixado num cenário de dois anos.

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