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Alerta com inflação segue conduzindo mercados e chega aos EUA

16 de fevereiro de 2011 | 08h38

A alta do custo de vida continua formatando as decisões de investimentos pelo mundo. No topo das atenções há tempos, a inflação agora começa a ser monitorada também nos Estados Unidos, até agora fora desse debate. Hoje e amanhã, serão divulgados dados relevantes sobre a economia norte-americana, capazes de conduzir o sentimento dos mercados globais.

“A inflação e a reação dos bancos centrais permanecem como a principal preocupação dos mercados financeiros”, diz Chris Turner, estrategista de câmbio do ING. Segundo ele, como o Federal Reserve por enquanto não entrou nessa discussão, os juros dos Treasuries de dez anos seguem comportados (a 3,63% nesta manhã) e os chamados investidores vigilantes ainda farão o seu movimento de venda de títulos.

A perspectiva de um ciclo de aperto monetário nos países emergentes já provocou a migração de capital para as ações desenvolvidas, num sinal claro de que os investidores dançam no ritmo da inflação.

Nos EUA, os preços das importações subiram mais do que o esperado em janeiro, em razão da alta dos alimentos e da energia. As vendas no varejo sofreram com os efeitos das nevascas e cresceram 0,3%, menos do que o esperado. A analista Julia Coronado, do BNP Paribas, acredita que, passado o efeito do frio, o consumo norte-americano continuará resistente nos EUA. Entretanto, a alta dos preços representará desaceleração dos gastos reais no primeiro trimestre.

Hoje, os investidores irão acompanhar o índice de preços ao produtor, às 11h30 (de Brasília), e a produção industrial de janeiro, às 12h15 – antes da inflação ao consumidor, que sai amanhã. Também ganha importância a ata da reunião do Federal Reserve, às 17 horas. O BC dos EUA mira o núcleo da inflação, mas com as preocupações recentes será relevante acompanhar se a autoridade fala do assunto e como se posiciona sobre a recuperação econômica e a política de compra de títulos.

No Reino Unido, continua quente o debate sobre política monetária. A inflação bateu 4%, simplesmente o dobro da meta, e lá foi o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, se explicar novamente em carta ao ministro de Finanças, George Osborne.

Ele disse que, tirando os preços da energia e dos alimentos, o impacto da alta do imposto sobre valor agregado e o efeito da fraqueza da libra, a inflação ficaria dentro da meta…”Nunca foi pensado para ser dessa forma quando a meta foi criada”, escreve Adrian Foster, do Rabobank.

O BoE divulga logo mais, às 8h30, seu relatório de inflação e os analistas aguardam sinais sobre quando os juros começarão a subir. O mercado precifica a primeira alta para maio, mas os analistas não veem tanta pressa porque, afinal, a economia voltou a encolher no quarto trimestre.

As expectativas dos analistas estão ficando cada vez mais divergentes. O Danske Bank vê o início do aperto no Reino Unido em agosto, enquanto o Rabobank acredita que o BC inglês só agirá no final do ano.

O Banco Mundial alertou ontem que a disparada dos preços dos alimentos colocou cerca de 44 milhões de pessoas em situação de pobreza desde junho. “Os preços globais dos alimentos estão subindo para níveis perigosos e ameaçam dezenas de milhões de pessoas pobres no mundo”, disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, em comunicado.

Os mercados internacionais começam o dia em tom positivo, após o balanço bem recebido da Dell, ontem à noite. Às 8h38 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,61%), Paris (+0,78%) e Frankfurt (+0,13%) subiam, junto com o petróleo, em alta de 0,58% na Nymex, a US$ 84,79.

No mesmo horário (acima), o euro subia US$ 1,3537, de US$ 1,3485 no fechamento de ontem em Nova York. O dólar valia 83,64 ienes, de 83,78 ienes.

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