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Alerta sobre Espanha traz instabilidade para mercados no exterior

15 de dezembro de 2010 | 09h19

Os temores sobre a situação fiscal da Espanha voltam a trazer instabilidade para os mercados internacionais. O alerta foi disparado pela Moody´s, que colocou a nota de crédito do país em revisão para possível rebaixamento nesta manhã.

As bolsas europeias abriram em baixa com a notícia e as commodities sentem a pressão vendedora dos investidores. O dia parece ser do dólar hoje, que ganha do euro e do iene, após dados negativos sobre a economia japonesa.

Com tantas incertezas espalhadas pela zona do euro, o tema da crise de dívida soberana ficará como um fantasma pelos mercados nos próximo meses, indo e voltando, conforme o fluxo de informações sobre as medidas para combater os elevados déficits.

A Moody´s avalia que um possível rebaixamento da nota da Espanha poderá ser resultado da vulnerabilidade do país ao estresse de financiamento, dada sua elevada necessidade de recursos em 2011, problema recentemente ampliado pela frágil confiança dos mercados.

A Espanha conseguiu captar ontem 2,513 bilhões de euros em títulos, mas pagou bem mais caro, com yields praticamente um ponto porcentual acima do leilão anterior.

Também na terça-feira, a Standard and Poor´s reduziu a perspectiva do rating da Bélgica, citando as incertezas políticas, já que o país tenta há meses formar um governo. É claro que trata-se de uma nação bem menor e sem comparação com o risco trazido pela Espanha. Mas, ajuda a ilustrar a situação de cautela vivida pela Europa hoje.

É claro também que as avaliações das agências de rating não são novidade. No entanto, os investidores seguem reagindo aos alertas emitidos. “O que os mercados fariam sem os insights dessas agências ?”, ironiza o economista Paul Donovan, do UBS.

Nesta quarta-feira, o destaque na região é a votação do pacote de socorro no parlamento da Irlanda. A expectativa é de que a ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional será aprovada.

Na Itália, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi escapou por pouco ontem da moção de censura. Mas, sai fragilizado após os vários escândalos pessoais e de corrupção, abrindo a possibilidade de nova instabilidade política no próximo ano – os protestos contra Berlusconi tomaram conta da Itália ontem.

Tudo isso sem contar a onda de frio que se abateu sobre a Europa e já levanta a possibilidade de impacto na atividade econômica.

Ao longo do dia, as atenções tendem a se voltar para os dados dos Estados Unidos. Estão na agenda a inflação ao consumidor e o índice de atividade industrial Empire State de NY, às 11h30 (de Brasília). Às 12h15, sai a produção industrial de novembro.

Tirando o último payroll, os números mais recentes apontam para melhora da situação econômica, como mostrou ontem a alta de 0,8% das vendas no varejo no mês passado.

A política monetária agressiva do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), confirmada pelo comunicado do Fomc, aliada à renovação dos cortes de impostos trazem a perspectiva de uma recuperação mais firme. Como até agora não se falou num plano de contenção de gastos para o futuro, o cenário também abre preocupações fiscais.

Por isso, segue o debate sobre os motivos que estão por trás da disparada dos yields dos Treasuries nos últimos dias. São os chamados investidores vigilantes do mercado de títulos que estão agindo, movidos pela provável deterioração fiscal nos EUA? Entre os analistas, prevalece uma percepção diferente, de que o movimento reflete maior confiança com a retomada da atividade e que os questionamentos sobre o déficit devem ficar para depois.

Martin Wolf, colunista do Financial Times, acredita que a alta dos yields é uma boa notícia, pois indica movimento rumo à normalização, já que as taxas ficaram muito baixas por muito tempo. “O que está acontecendo no mercado de títulos é encorajador. As taxas estão subindo, já que a psicologia da depressão diminui. Com sorte, a recuperação permanecerá. Hurrah!”, escreve em sua coluna de hoje.

Para os analistas Alan Clarke & Paul Mortimer-Lee, do BNP Paribas, as autoridades dos EUA estão emitindo uma mensagem clara: tentarão a todo custo evitar uma situação como a do Japão – e os mercados estão reagindo de acordo. “O entusiasmo dos investidores não vem sem riscos, pois a alta dos yields ameaça a recuperação”, anotam. “De qualquer forma, parece que deixamos o cenário japonês para trás.”

Aliás, o Japão divulgou a pesquisa Tankan, do BoJ, que apontou queda do índice de expectativa das grandes indústrias para 5 em dezembro, contra 8 em setembro. É a primeira vez que houve piora desde o fim da crise financeira global no ano passado.

Nesse cenário de enfraquecimento na Europa e no Japão, o dólar não poderia encontrar outra rota hoje. A moeda sobe em relação ao euro – que cedia para US$ 1,3323 às 9h18 (de Brasília), de US$ 1,3374 no fim do dia ontem em Nova York. Na comparação com a divisa japonesa, o dólar subia para 84,00 ienes, de 83,64 ienes na véspera.

No mesmo horário (acima), as bolsas de Londres (-0,43%), Paris (-0,90%) e Frankfurt (-0,78%) cediam, junto com o petróleo, a US$ 87,29 (-1,12%).

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