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Alertas renovam temor com Grécia e deixam exterior na defensiva

25 de fevereiro de 2010 | 04h15

Alertas das agências de rating renovam as preocupações com a situação fiscal da Grécia e os mercados, de modo geral, adotam uma postura defensiva. Os índices futuros de Nova York e o petróleo caem. O euro volta a sentir pressão e testa o nível de US$ 1,35. Mas nas bolsas europeias, a divulgação de balanços positivos, como de seguradoras, mantinha os índices em alta modesta.
 
Os temores sobre deterioração das notas de risco da Grécia espalharam cautela pelo exterior no início dos negócios hoje. Ontem, a Standard and Poor’s já havia afirmado que o rating do país pode voltar a ser rebaixado, desta vez para o nível junk no próximo mês. Agora, a Moody’s também levanta a possibilidade de nova mudança ao dizer que vai monitorar o plano de consolidação fiscal e, caso o país se desvie das medidas propostas, ajustará o rating, como relatam agências internacionais.
 
A afirmação da Moody´s chamou a atenção dos investidores porque a agência possui hoje a maior nota para a Grécia. Entre o final do ano passado e o início de 2010, as três principais agências ajustaram os ratings do país a partir da divulgação de novos dados sobre as contas públicas. A Grécia enfrenta um déficit fiscal de 12% do Produto Interno Bruto (PIB), quatro vezes mais do que o permitido pela União Europeia.
 
O ING e o Deutsche Bank citam hoje em seus comentários preocupação com a qualidade dos ativos gregos aceitos como garantia pelo Banco Central Europeu. “Devido às regras do BCE, o fato de a Grécia cumprir ou não seu plano fiscal deve se tornar uma questão importante no médio prazo”, diz Jim Reid, estrategista do Deutsche.
 
Enquanto isso, cresce a insatisfação social no país. Ontem, uma greve geral paralisou diversas atividades e envolveu mais de um milhão de pessoas. Repartições públicas, hospitais, universidades e parte do transporte urbano não funcionaram. Os serviços de trens e aeroportos também foram afetados.
 
Nos Estados Unidos, as marcas da crise vieram ontem no depoimento de Ben Bernanke ao Congresso. Ele passou a avaliação de que a economia norte-americana ainda precisa de taxas de juros excepcionalmente baixas. O presidente do BC
reiterou que o aumento na taxa de redesconto anunciado na semana passada não sinaliza uma mudança na política monetária.
 
Como os investidores querem continuar aproveitando a liquidez artificial criada pela crise, as palavras de Bernanke geraram procura pelos ativos de risco ontem. Ele volta a falar nesta quinta-feira, desta vez no Senado, a partir das 11 horas (de Brasília), mas já sem atrair tanta atenção.
 
A fragilidade da recuperação também apareceu no resultado das vendas de imóveis residenciais novos nos EUA, com queda de 11,2% em janeiro, para 309 mil, o pior nível desde o início da série, em 1963. Hoje, a agenda traz os novos pedidos de auxílio-desemprego e as encomendas de bens duráveis, ambos às 10h30. 
 

Se nos EUA existe a necessidade de manutenção da estratégia monetária extremamente frouxa, no Brasil a conversa é outra. O Banco Central anunciou ontem à noite a elevação dos compulsórios, revertendo medida adotada para combater a crise. Como a economia anda bem com as próprias pernas, a autoridade avalia que está na hora de retirar os estímulos. A decisão reduz a possibilidade de alta dos juros já em março.

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