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Analistas contam com aprovação apertada do pacote da Grécia amanhã

28 de junho de 2011 | 10h05

Mesmo diante das incertezas, o governo da Grécia deve aprovar amanhã, com margem estreita, as novas medidas de austeridade fiscal necessárias para a obtenção de mais ajuda externa. Essa é a avaliação expressa pelos analistas e também pelo comportamento relativamente otimista dos investidores internacionais. Embora o ambiente político em Atenas seja instável, continua de pé a expectativa de que o país conseguirá evitar o default desordenado da dívida, simplesmente porque seus efeitos seriam bastante danosos.

Não fosse essa percepção, o ambiente estaria bem mais pesado nos mercados. Ontem, as bolsas de Nova York até conseguiram ensaiar recuperação, fiando-se num desfecho positivo da tão aguardada votação de amanhã. Hoje, as praças europeias começaram o dia exibindo cautela, mas sem sinais de nervosismo mais acentuado.

Por via das dúvidas, as autoridades europeias começaram a debater um “plano B”, caso o parlamento grego não aprove o pacote fiscal amanhã, informa o Financial Times. Se as medidas não passarem, o governo cai e será preciso chamar eleições antecipadas. Sem os novos recursos do segundo pacote de resgate, o país não teria como arcar com os compromissos de julho – o próximo vencimento é em 15 de julho, no valor de 2,4 bilhões de euros.

Os analistas seguem acreditando que o primeiro-ministro George Papandreou conseguirá o apoio necessário na votação aguardada para amanhã de manhã, no horário de Brasília. O resultado, entretanto, deve ser bastante estreito. O Movimento Socialista Pan-Helênico (PASOK) tem 155 dos 300 assentos do parlamento. A maioria já é apertada e, ainda assim, há parlamentares governistas sinalizando que não darão apoio ao projeto.

“Apesar de um ou dois membros do Pasok terem dito que podem votar contra o programa, parece que Papandreou conseguirá passar por essa”, escreve Allan von Mehren, analista-chefe do Danske Bank. “Nosso cenário é que a Grécia aprovará o pacote de austeridade por uma margem muito estreita. A alternativa é o impensável”, avalia Tom Levinson, do ING.

Embora as expectativas sejam positivas, não é possível ignorar os perigos e nem descartar instabilidade nas próximas horas, à medida que o evento decisivo se aproxima. Para Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank, o risco político é elevado e os mercados devem ficar sensíveis em relação às notícias que vierem de Atenas.

Ontem, o ambiente também foi estimulado pela expectativa de acordo com os credores franceses e alemães para uma participação voluntária no novo plano de resgate grego. Em reunião realizada em Roma, as discussões se concentraram na proposta francesa, apoiada pelo presidente Nicolas Sarkozy, para os bancos reinvestirem metade dos recursos dos bônus do governo grego que expirarem.

Segundo fontes do Wall Street Journal, o Banco Central Europeu (BCE) seria receptivo ao plano voluntário. A questão é ver como ficaria o posicionamento das agências de rating sobre a classificação dos termos como default. De qualquer forma, a dinâmica da dívida grega é realmente vista como insustentável e, em algum momento, perdas terão de ser absorvidas.

Enquanto o parlamento debate as propostas de austeridade, a Grécia presencia a partir de hoje uma greve geral de 48 horas. Segundo o jornal Kathimerini, todo o sistema de transporte público, com exceção do metrô, deixa de funcionar.

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