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Apetite por risco volta e provoca rali nos mercados internacionais

20 de abril de 2011 | 10h33

O apetite pelo risco retorna aos mercados internacionais. Depois da correção motivada pelo susto com a perspectiva negativa para a classificação de risco dos Estados Unidos, os investidores voltam a aproveitar o ambiente de farta liquidez no exterior.

A volumosa lista de riscos continua à espreita – passa pela crise fiscal na Europa, alerta sobre os gastos públicos nos EUA e os efeitos da inflação ao redor do globo. Entretanto, como as políticas monetárias dos grandes bancos centrais continuam bastante relaxadas, sobra dinheiro nas praças internacionais e é isso que move os investidores.

O Financial Times traz hoje a informação de que o volume de recursos sob administração dos fundos de hedge bateu recorde e atualmente soma US$ 2 trilhões, superando o nível registrado antes da crise financeira global, conforme dados do Hedge Fund Research.

O dia começa com rali nos mercados de ações, commodities e moedas. O comportamento mostra que os mercados se recompõem da decisão da Standard and Poor´s de cortar a perspectiva do rating dos EUA de estável para negativa. Os investidores passam a achar que os problemas fiscais da maior economia do mundo não representam um risco de curto prazo. Uns dizem que foi até bom, pois o alerta pode funcionar como uma “chamada de despertar” para os políticos norte-americanos e um empurrão rumo ao cuidado fiscal. Citam que foi exatamente isso que aconteceu com o Reino Unido, embora não esteja claro que as condições políticas dos dois países sejam comparáveis.

Se o Reino Unido serve mesmo de exemplo, é bom observar dois pontos. Primeiro: os britânicos passam por estrangulamento da renda, com perspectivas desfavoráveis para a atividade. Segundo: como resultado, o Banco da Inglaterra não tem forças para subir os juros, mesmo diante das fortes pressões inflacionárias. A ata da reunião do BoE, divulgada hoje, reforçou a percepção de que o aperto monetário será adiado para o segundo semestre, apesar do risco de o índice de preços ao consumidor ultrapassar 5%. Vale lembrar que se trata de um banco central formalmente independente, que deixa a meta de inflação de 2% totalmente de lado e olha para a fraqueza da atividade econômica.

No meio desse debate, os investidores já se preparam para a importante reunião do Federal Reserve na próxima semana. Os analistas acreditam que a autoridade manterá a estratégia de frouxidão para não estragar a retomada econômica. Mas, crescem as divisões dentro do Fomc, pois alguns membros avaliam que é hora de mudar de rumo e sair do campo emergencial adotado para combater a crise.

Até mesmo a frágil situação da Grécia não está sendo vista como risco de curtíssimo prazo. A safra de balanços nos EUA também ajuda a trazer ânimo aos mercados, depois que Yahoo! e Intel divulgaram números positivos ontem à noite.

No Brasil, ansiedade total para a decisão do Copom hoje à noite. Com o mercado dividido e as apostas embaralhadas, prosseguem os questionamentos sobre a estratégia do Banco Central de adotar dose mais leve de alta dos juros para combater a escalada da inflação. A maior parte dos economistas espera um aumento de 0,50 ponto porcentual da Selic nesta quarta-feira, para 12,25% ao ano.

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