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Apreensão com dívida dos EUA gera movimento defensivo no exterior

29 de julho de 2011 | 08h37

Nos últimos meses, as discussões no cenário internacional giraram em torno da possibilidade de calote da Grécia. O novo pacote de ajuda externa definido na semana passada acabou realmente resultando no primeiro default da zona do euro. O impressionante é que, em poucos dias, as preocupações escalaram para uma situação infinitamente mais grave: o risco de os Estados Unidos deixarem de honrar pagamentos.

O prazo para a elevação do teto da dívida está se esgotando e os políticos norte-americanos parecem longe de um acordo. Os investidores não têm outra opção a não ser partir para movimentos de defesa antes do final de semana decisivo. Analistas continuam descartando a chance de um default, mas acreditam que os EUA não conseguem escapar do corte do rating AAA.

“À medida que o dia do juízo final se aproxima, ainda parecemos longe de uma solução crível para o endividamento crescente dos EUA ou para o drama do teto da dívida”, avalia Yelena Shulyatyeva, analista do BNP Paribas. “Um rebaixamento parece cada vez mais provável”, diz Paul Donovan, economista do UBS, fazendo coro a diversos outros especialistas.

O ING, por exemplo, trabalha com o seguinte cenário: haverá acordo no Congresso (não necessariamente na data limite de 2 de agosto), não ocorrerá default, mas pelo menos uma agência deve reduzir a nota AAA do país. Além de uma mega onda de aversão ao risco nos mercados, um calote dos EUA geraria pesadas consequências para a economia interna, ou uma queda de 7 pontos porcentuais no PIB do trimestre, prevê o banco.

“Como resultado, estamos ouvindo cada vez mais democratas pedirem para Obama invocar a emenda 14 da Constituição e elevar o teto da dívida ele mesmo”, avalia James Knightley, analista do ING. “Haveria um custo político, mas seria pequeno perto da alternativa.”

O clima de 2008 continua presente. O Deutsche Bank lembra do sufoco vivido pelo Congresso norte-americano para a aprovação do pacote de ajuda aos bancos após o colapso do Lehman Brothers. O Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) foi rejeitado na primeira votação na Câmara, em 29 de setembro de 2008, gerando a maior queda em pontos num único dia do índice Dow Jones (777 pontos). “Não parece que veremos uma repetição disso, mas quanto mais perto chegamos do prazo final, mais riscos aparecem”, escreve aos clientes Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank.

Por via das dúvidas, o Tesouro já começou a vazar um plano de emergência. Conforme o Wall Street Journal, devem ser priorizados os pagamentos aos detentores de bônus para evitar um “default tumultuado”. Só no dia 4 de agosto, há vencimentos de US$ 87 bilhões, de um total de US$ 500 bilhões no mês.

Também relevante é a divulgação do PIB norte-americano do segundo trimestre, às 9h30 (de Brasília). O consenso aponta para crescimento de 1,8%, um pouco abaixo do resultado do primeiro trimestre (+1,9%). A fraqueza da recuperação econômica é outra preocupação dos EUA. “Virando japoneses – dívida, default e a nova política de paralisia do Ocidente”, diz a capa da revista The Economist desta semana.

Na Europa, mais alertas sobre a dívida soberana da periferia. Hoje, foi a vez de a Moody´s colocar os ratings da Espanha em revisão para possível rebaixamento.

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