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Ativação da ajuda para Grécia sustenta exterior, sem euforia

23 de abril de 2010 | 09h53

O anúncio de que a Grécia está pedindo a ativação do pacote de socorro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) injeta certo ânimo nos mercados no exterior, mas sem euforia. Após dias de pressão sobre os ativos gregos, o primeiro-ministro George Papandreou afirmou hoje que “chegou o
momento” de o país requisitar a ajuda.
 
Entre os investidores, já estava consolidada a percepção de que o país está sem fôlego e de que precisa do suporte o quanto antes. “É uma extrema necessidade, é uma necessidade nacional, disse Papandreou, conforme informações da Dow Jones.
 
A turbulência entre os ativos gregos atingiu nível extremamente preocupante ontem, com o anúncio de déficit orçamentário maior do que o esperado e o rebaixamento do rating da Grécia feito pela Moody´s. As notícias também pesaram sobre os títulos de outros países com problemas de endividamento, como Portugal e Irlanda, numa mostra de que os investidores temem o contágio.
 
O anúncio do premiê grego acaba aliviando o ambiente e faz as bolsas europeias operarem com alta próxima a 1%. Ao euro, garante o piso de US$ 1,33. Ontem, a moeda comum chegou a cair para a casa de US$ 1,32 durante o dia, piso que não era visto desde abril do ano passado.
 
Também sustenta o sentimento dos investidores hoje o desempenho da economia da Alemanha. Numa mostra de que a zona do euro realmente engata recuperação mais firme, o índice de sentimento econômico Ifo de abril marcou 101,6, de 98,2 em março e acima da projeção.
 
Para a analista Violante di Canossa, do Credit Suisse, o número sugere que a perspectiva para a atividade nos próximos meses segue positiva e é consistente com um crescimento do PIB alemão ao redor de 4%.
 
Já o desempenho do Reino Unido continua deixando a desejar. O PIB desacelerou e cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre, na comparação com o anterior, pior do que o esperado (0,4%). O dado terá certamente leitura política em meio à campanha eleitoral no país.
 
Os desdobramentos na Grécia devem concentrar as atenções dos investidores hoje, mas a agenda ainda traz a reunião de ministros de Finanças do G-20, em Washington. De lá podem sair novidades das negociações em torno de impostos sobre os bancos, como sugerido pelo FMI.
 
Ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, chamou os bancos para participarem da reforma financeira, ao invés de ficarem mandando lobistas ao Congresso para barrar a legislação. “Mas eu estou aqui hoje porque quero persuadi-los a juntarem-se a nós, em vez de nos combater. Estou aqui porque acredito que essas reformas
interessam, afinal, não apenas ao país, mas também ao setor financeiro”, disse, em tom mais conciliador.
 
Mas a crise não destruiu apenas a credibilidade das instituições financeiras. Abalou também o papel das agências de rating. Investigação do Senado dos EUA mostra os conflitos de interesse envolvendo a Moody’s e a Standard & Poor’s. Segundo o Financial Times, informações do Senado mostram que as duas agências foram
influenciadas pelos bancos de investimento que pagavam por seus serviços, ignorando sinais de fraude na indústria de crédito.
 
O calendário de indicadores dos EUA tem hoje as vendas de residências novas em março e o resultado final do sentimento do consumidor em abril, da Universidade de Michigan (11h).

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