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Balanços aliviam ansiedade sobre decisão do Federal Reserve

28 de outubro de 2010 | 09h30

Vem do setor corporativo um sopro de alívio para os mercados internacionais hoje, capaz de amenizar a ansiedade para a decisão do Federal Reserve na próxima semana. Empresas europeias divulgam perspectivas e resultados considerados positivos, reforçando o perfil favorável da safra de balanços do terceiro trimestre.

Os desempenhos de companhias como France Telecom e Shell surpreendem e permitem que as bolsas europeias operem em alta nesta manhã. No Brasil, a expectativa fica com a Vale, que ontem à noite anunciou o melhor resultado trimestral de sua história, com recordes de lucro, Ebitda e receita. O ganho líquido avançou 260% pelo padrão contábil americano e somou US$ 6,038 bilhões de julho a setembro.

As empresas de commodities se beneficiam da disparada dos preços nos últimos meses. Além da demanda no mundo emergente, as cotações sofrem forte influência da desvalorização do dólar, reflexo da política monetária do Federal Reserve.

A expectativa de que o BC dos EUA amplie seu arsenal para ativar a economia reforça a tendência de alta das matérias-primas. Os fundos de investimento desempenham papel relevante para a formação dos preços e levantam polêmica ao puxar as cotações dos alimentos, o que já pesa para a inflação em vários países.

Analistas do Danske Bank acreditam que o petróleo, os metais e os grãos devem continuar subindo ao longo de 2011, estimulados por um mercado mais apertado e pela fraqueza do dólar. Eles estimam que o valor de US$ 80,00 deve se configurar um novo piso para os contratos de petróleo.

É fato que a decisão do BC dos EUA no dia 3 de novembro será crucial também para o mercado de commodities. A expectativa para o anúncio é gigante e até já move outras autoridades monetárias. Ao decidir manter os juros no chão, entre 0% e 0,1%, o Banco do Japão anunciou a antecipação da sua próxima reunião de 15 a 16 de novembro para 4 a 5 de novembro, dia seguinte ao Fed.

Analistas concluem que o BOJ se prepara para agir conforme o impacto das medidas a serem tomadas nos EUA. “Não é nenhuma coincidência. O BOJ parece estar terceirizando suas decisões para Washington”, avalia Paul Donovan, do UBS. O Japão tem engatilhado um programa de compra de títulos de 5 trilhões de ienes e decidiu que poderá usar parte dos recursos para adquirir também papéis corporativos com rating mais baixo, a partir da nota BBB.

O nervosismo sobre o tamanho da dose de desaperto do Fed continua como pano de fundo. Ontem, a possibilidade de postura menos agressiva, conforme divulgado pelo The Wall Street Journal, acendeu a cautela. Hoje, entra para a lista dos comentários a informação de que o BC estaria consultando o mercado para conhecer as projeções sobre um novo programa de compra de títulos e a expectativa de impacto das medidas, segundo a Bloomberg. Amanhã, o resultado do PIB dos EUA no terceiro trimestre será o dado mais relevante antes da decisão do Fed.

Às 9h30 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,69%), Paris (+0,57%) e Frankfurt (+0,53%) subiam.

O euro avançava a US$ 1,3857, de US$ 1,3766 no fechamento de ontem em Nova York. A libra passava a US$ 1,5838, de US$ 1,5770. Em relação à moeda japonesa, o dólar cedia a 81,28 ienes, de 81,70 ienes.

No mesmo horário (acima), o petróleo tinha ganho de 0,21%, para US$ 82,11.

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