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Balanços e Basileia ajudam bancos no exterior antes de dados americanos

27 de julho de 2010 | 09h15

Nada como os balanços para sustentar o ânimo dos mercados internacionais e espantar os receios com a desaceleração global. Essa tem sido a máxima dos últimos dias e hoje não é diferente: os resultados dos bancos na Europa jogam para trás o ceticismo com os testes de estresse. Também ajuda o acordo para a nova regulação global dos bancos, fechado ontem em Basileia.

Se as instituições financeiras trazem clima positivo para os investidores nesta manhã, nas próximas horas o tema dos mercados vai mudar. O foco se desviará para o comportamento da economia dos Estados Unidos, ponto-chave para definir até onde vai o impacto da crise na Europa.

Apesar de os testes de estresse não terem se revelado o ponto de virada que muitos esperavam, é fato que o sentimento dos investidores anda bem mais firme. O temor de default iminente na zona do euro, que trouxe calafrios recentemente, ficou para trás. Os países da região, com exceção da Grécia obviamente, têm conseguido se financiar no mercado.

Até mesmo os indicadores econômicos passaram a surpreender positivamente, como aconteceu na semana passada com a Europa e ontem com a alta de 23,6% nas vendas de imóveis nos EUA em junho, bem acima do esperado. Hoje, será importante acompanhar o índice de preços de residências S&P/Case Shiller (às 10h de Brasília) e a confiança do consumidor do Conference Board em julho (11h). É um bom aquecimento para o aguardado PIB do segundo trimestre, na sexta-feira.

Enquanto aguardam novos dados sobre a economia norte-americana, os investidores gostam de saber que os balanços dos bancos europeus mostram boa forma. O UBS saiu de prejuízo de US$ 1,5 bilhão para lucro de US$ 2,1 bilhões no segundo trimestre, enquanto o Deutsche Bank também fechou o período com ganho de US$ 1,5 bilhão, alta de 6% sobre o mesmo período do ano passado. Ambos superaram as estimativas dos analistas. A instituição alemã divulgou sua exposição à dívida soberana na Europa, dado que ficou faltando nos testes de estresse.

Outro ponto considerado positivo pelos mercados foi o acordo com relação às novas regras para os bancos, chamado de Basileia 3. As normas aprovadas ontem, que ainda precisam passar pelo aval do G-20, foram consideradas mais brandas do que o projeto original. Algumas propostas foram amenizadas e outras postergadas até 2018.

Trazia desconforto a perspectiva de imposição de regras muito fortes neste momento de recuperação econômica, pelo potencial impacto sobre o crédito e o crescimento econômico, como argumentam representantes do setor. Existiam temores sobre as dificuldades para os bancos levantarem capital no curto prazo – embora já esteja mais do que claro que as instituições terão de se submeter a critérios firmes para limitar o risco e impedir novas crises financeiras.

“A abordagem mais leve e a adoção de postura gradual devem ser vistas como um sinal de que os reguladores entendem a importância de minimizar problemas de curto prazo no mercado”, anota Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank em Londres.

Conforme o Financial Times, somente um país da União Europeia não teria assinado o acordo na Basileia: a Alemanha. E, enquanto os bancos europeus vão vislumbrando dias melhores, o jornal britânico diz que as instituições da China enfrentam “sérios riscos de default” em mais de um quinto (US$ 1,135 bilhão) dos recursos emprestados a governos locais, segundo fontes.

Ainda no mundo corporativo, destaque para o prejuízo de US$ 17,15 bilhões anunciado pela BP no segundo trimestre, considerado um dos maiores já registrados na história do Reino Unido. A companhia fez provisões de US$ 32,2 bilhões para o vazamento de óleo nos EUA e informou que venderá US$ 30 bilhões em ativos. Foi confirmado que Tony Hayward está deixando a presidência da empresa (com 1 milhão de libras no bolso mais aposentadoria estimada em meio milhão de libras por ano) e será substituído por Bob Dudley.

Às 9h14 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,83%), Paris (+1,29%) e Frankfurt (+0,75%) subiam.

O euro marcava US$ 1,3032, de US$ 1,2997 no fechamento de ontem em Nova York. A libra avançava a US$ 1,5520, de US$ 1,5485. O dólar era cotado a 87,34 ienes, de 86,89 ienes na véspera.

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