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Balanços isolam exterior da piora de perspectiva sobre os EUA

29 de julho de 2010 | 09h02

Os balanços, mais uma vez, seguram a onda no exterior e impedem que a piora das perspectivas sobre a economia dos Estados Unidos tome conta dos negócios. Novos números divulgados nesta manhã mostram que as empresas europeias estão conseguindo passar pela crise em melhor forma, com destaque para a Telefónica, que conta com a América Latina para incrementar seus resultados.

Ficam de lado, portanto, a avaliação expressa ontem no Livro Bege sobre um crescimento apenas modesto da economia norte-americana. Como esperado, o tom do Federal Reserve foi mais cauteloso, diante da fraqueza exibida por vários indicadores recentes. É claro que a grande expectativa da semana está voltada para o resultado do PIB do segundo trimestre, que sai amanhã.

Levantamento interessante do BNP Paribas mostra que as palavras referentes à fraqueza apareceram 53 vezes no Livro Bege de ontem, acima da contagem de 45 no mês passado, reflexo dos indicadores mais suaves divulgados nos últimos dias.

A principal questão para os investidores permanece a mesma: até onde vai a desaceleração dos EUA e Europa? Essa discussão é absolutamente relevante para o mercado de câmbio internacional quando se confrontam as perspectivas para o dólar e o euro.

Para o estrategista Tom Levinson, do ING, os dados sobre a economia dos EUA estão “inequivocamente fracos”. Mas, as preocupações sobre a habilidade da Europa para executar a austeridade fiscal e seu potencial impacto econômico negativo podem fazer com que o euro tenha desempenho mais fraco.

“Não estou otimista em relação à Europa porque o desemprego e a alavancagem dos governos são muito altos”, afirmou à Agência Estado o diretor de um banco de investimentos no continente.

Nesse ambiente, os balanços seguem dando contribuição positiva. Hoje, a Telefónica volta a despontar como destaque do noticiário corporativo, ao anunciar alta de 16% no lucro do segundo trimestre, para 2,12 bilhões de euros. O impulso veio do desempenho na América Latina, que compensou a fraqueza do mercado espanhol. As ações da empresa subiam 2,82% em Madri (às 7h30, de Brasília), embora a Moody’s tenha rebaixado a perspectiva do rating da Telefónica de positiva para estável, após aumento de participação na Vivo.

Os papéis da France Telecom também operam em alta com o anúncio de que a operadora irá manter a política de dividendos de 1,4 euro por ação nos próximos três anos, apesar da queda de receitas e lucro no segundo trimestre. Conforme o Financial Times, sete empresas do FTSE 100 divulgaram números hoje, considerados positivos pelo mercado, como Shell, AstraZeneca e British Telecom.

No Brasil, onde a temporada de balanços também ganha impulso com a Vale no final do dia, todos os olhares estão absolutamente concentrados na ata do Copom, logo mais às 8h30. Os economistas querem desvendar os motivos que levaram o BC a aumentar a Selic em 0,50 ponto porcentual, abaixo do esperado pelos profissionais – embora os operadores já tivessem precificado um aperto menor.

No exterior, a novidade sobre política monetária é que o BC da Nova Zelândia elevou o juro em 0,25 ponto porcentual, para 3%, como esperado, mas já adotou tom mais cauteloso sobre a economia.

Às 09h02 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,79%), Paris (+0,64%) e Frankfurt (+0,62%) registravam valorizações. Já o petróleo (-0,40%), para US$ 76,78 recuava.

O euro subia a US$ 1,3072, de US$ 1,2988 no fechamento de ontem em Nova York. A libra passava de US$ 1,5585 ontem para US$ 1,5639 no mesmo horário (acima). O dólar operava a 86,88 ienes, de 87,44 ienes na véspera.

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