As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

BC impedirá superaquecimento econômico, preveem analistas

23 de fevereiro de 2010 | 19h54

A política monetária nacional impedirá um superaquecimento da economia brasileira, acreditam analistas internacionais voltados aos mercados emergentes. A expectativa de crescimento forte e a possibilidade de pressão inflacionária são as principais questões sobre o Brasil debatidas atualmente no exterior.
 
Os especialistas se surpreenderam com o comportamento recente da atividade e acreditam que o Banco Central terá de elevar os juros para impedir a aceleração dos preços. “O Brasil é um dos poucos países do mundo que estão crescendo acima do potencial”, afirmou Arnab Das, diretor de Pesquisa de Mercado e Estratégia da Roubini Global Economics, em Londres.
 
Apesar de não acreditarem que a economia brasileira já esteja superaquecida, analistas dizem que a atividade interna respondeu mais rápido do que o esperado. “O que nos surpreendeu especialmente foi a força do mercado de trabalho, que está muito robusto”, disse Philip Poole, estrategista-chefe de emergentes do HSBC.
 
Há seis meses, Poole acreditava que o BC poderia até esperar para elevar os juros após as eleições. Agora, vê a primeira alta em abril. A autoridade monetária, avalia, será guiada pelas crescentes expectativas de inflação. Além disso, é preciso levar em conta a atual política fiscal do governo, considerada frouxa pelo especialista. “Não diria que a economia está superaquecida, mas o BC será proativo, o que é bom.”
 
Arnab Das, da Roubini Global Economics, também avalia que a política monetária vai se encarregar de cuidar da inflação antes que o problema cresça.
 
“Existe potencial para que a economia fique superaquecida, mas não é algo iminente”, afirmou o chefe de estratégia de renda fixa para a América Latina do Credit Suisse, Igor Arsenin. Ele conta com o crescimento dos investimentos para equilibrar a equação.
 
O Credit Suisse prevê a Selic em 10,25% no final do ano. A Roubini Global Economics e o HSBC projetam 11,25%. Já o JP Morgan e o Royal Bank of Scotland esperam 11,75%. A taxa básica está hoje em 8,75%.
 
Para os especialistas, a transição de governo não sairá do radar dos investidores, mas o processo eleitoral deste ano no Brasil será bem mais tranquilo do que em 2002. A principal discussão para os mercados deve ser a política fiscal. Para Poole, do HSBC, o risco é a continuidade do aumento dos gastos do governo, a partir do discurso da pré-candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff, em defesa de um Estado mais forte.
 
No entanto, apesar de esperar “algum barulho”, ele prevê um processo mais suave, sem risco de turbulência, já que Dilma também afirmou recentemente a intenção de manter a política macroeconômica. Segundo ele, as políticas de José Serra, provável candidato do PSDB, “não seriam muito diferentes”.
 
“Essas eleições serão um problema muito menor para os mercados, as pessoas não estão receosas como no passado”, disse Arnab Das.

Tudo o que sabemos sobre:

juros; Selic; BC; inflação

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.