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Casamento real tira liquidez na Europa, mas inflação não dá folga

29 de abril de 2011 | 10h04

A inflação, grande tema do momento nos mercados internacionais, não dá folga nem mesmo em dia de casamento real. A união entre o príncipe William e Kate Middleton fecha a praça de Londres e esvazia a liquidez na Europa. E os investidores se concentram na perspectiva de mais aperto monetário na zona do euro e na China.

A inflação ao consumidor na zona do euro bateu em 2,8% em abril, acima do esperado, na marca mais elevada desde outubro de 2008. O número só reforça a percepção de que o Banco Central Europeu seguirá com a estratégia de alta dos juros para combater o aumento dos preços, mesmo em meio à crise de dívida soberana na Europa.

A proximidade do feriado na China na próxima segunda-feira também traz especulações sobre a possibilidade de novo aperto monetário no país – como aconteceu recentemente em outras datas comemorativas. O que chama a atenção hoje é a valorização da moeda chinesa, já que o dólar caiu abaixo de 6,5 yuans pela primeira vez desde 1993, desafiando um piso psicológico importante.

O comportamento do câmbio trouxe avaliações de que Pequim pode estar querendo usar a valorização cambial para tentar conter a inflação, além das outras medidas que já vem tomando. A economia chinesa continua no campo da expansão, tanto que o índice final de atividade industrial do HSBC confirmou a leitura preliminar de 51,8 em abril, estável em relação a março.

Enquanto isso, nos Estados Unidos os dados divulgados ontem deram munição para a cautela do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke. Foi confirmada a desaceleração do PIB no primeiro trimestre, com alta de 1,8% na base anual, bem abaixo do crescimento de 3,1% dos últimos três meses de 2010. O mercado de trabalho também não trouxe boa notícia, pois os pedidos de auxílio-desemprego apontaram alta de 25 mil novos seguros na semana, enquanto o consenso indicava queda de 8 mil.

O desempenho já desperta a atenção para o dado oficial do mercado de trabalho, a ser anunciado daqui a uma semana. Para as especialistas, a economia dos EUA se recupera gradualmente.

Ou seja, não resta mesmo espaço para qualquer recuperação do dólar. Para o Danske Bank, trata-se apenas de uma questão de tempo para o euro romper a marca de US$ 1,50. Conforme o UniCredit, o alvo pode só não chegar mais rápido porque o feriado do casamento real em Londres tira a liquidez da Europa hoje.

Mas, a ideia de que o casamento real poderá ajudar a economia do Reino Unido não passa de conto de fadas. Primeiro, porque o aquecimento do turismo e do comércio terá efeito apenas no curto prazo. Além disso, esse impacto tende a ser anulado pela sucessão de feriados ao redor do evento, que reduzirá a produção – muitos estão emendando um mega feriadão de 11 dias, juntando com a Páscoa. Analistas consultados pela Agência Estado acreditam que o resultado do tão aguardado evento sobre o Produto Interno Bruto britânico é até mesmo negativo.

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