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Cenário externo aponta para mais uma semana de instabilidade

24 de maio de 2010 | 09h41

Mais uma semana de incertezas se abre no mercado externo. Os acontecimentos dos últimos dias deixaram um saldo significativo de desconfiança entre os investidores internacionais. A perspectiva é de novos momentos de volatilidade, em meio à divulgação de indicadores econômicos na Europa e nos Estados Unidos.
 
A principal questão agora é saber se a turbulência dos mercados irá contagiar a economia real. Essa possibilidade, junto com a falta de coordenação exibida pelas autoridades, abalou os ativos de risco recentemente e segue monitorada de perto. Por isso, os números previstos para esta semana tendem a ganhar destaque, especialmente as encomendas à indústria na zona do euro em março amanhã.
 
Tudo vai depender do período de duração do estresse. Para o Goldman Sachs, o crescimento econômico atualmente em curso na Europa ajudará a estabilizar os mercados financeiros. O risco é que a turbulência continue por um período prolongado. “Acredito que a economia real tem entre três e seis meses para convencer os mercados de que os fundamentos estão melhorando antes que o congelamento dos canais de crédito comece a levar a atividade de volta à recessão”, diz Erik Nielsen, economista-chefe para a Europa do banco.
 
O clima de dúvidas, que deixa as bolsas europeias e o euro em queda hoje, ganhou novo componente no final de semana, quando o Banco Central da Espanha tomou o controle do CajaSur, um pequeno banco de poupança administrado pela Igreja Católica desde 1864. Analistas acreditam que a medida faz parte da reestruturação do sistema bancário em curso no país e, como a instituição responde por apenas 0,6% dos ativos financeiros, isoladamente não representa motivo para alarde.
 
As fragilidades dos bancos de poupança são conhecidas e o governo espanhol inclusive já impôs um prazo para que as instituições resolvam seus problemas. Mas é claro que, como os investidores andam ariscos a qualquer notícia desfavorável, o tema ganha um olhar cauteloso.
 
Os governos europeus continuam buscando formas de resolver os problemas dos elevados déficits públicos. A reunião dos ministros de Finanças da União Europeia na sexta-feira terminou sem nenhuma medida efetiva de suporte ao euro, como era esperado. Mas os participantes decidiram impor penalidades para quem descumprir as regras fiscais.
 
Hoje, o novo governo de coalizão do Reino Unido acaba de anunciar cortes imediatos de 6,25 bilhões de libras (US$ 9 bilhões) no orçamento. São as primeiras definições do novo ministro de Finanças, George Osborne.
 
O Financial Times diz que a Alemanha vai iniciar um programa de austeridade drástico no próximo ano, de forma a dar um exemplo para o restante da zona do euro, conforme fontes do governo. Segundo o jornal, os cortes devem atingir 10 bilhões de euros (US$ 13 bilhões) até 2016.
 
Nesta semana, a China volta à cena. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, sem reúnem hoje e amanhã com líderes de Pequim. A questão cambial estará entre os temas.
 
Avaliações de que a China terá de adiar o temido aperto monetário em razão da crise na Europa fizeram a bolsa de Xangai subir quase 3,5% hoje. No entanto, o presidente do BC chinês, Zhou Xiaochuan, disse que as questões domésticas são o ponto mais importante para determinar a política monetária do país, conforme a
Dow Jones.

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