As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Clima de insegurança toma conta dos mercados internacionais

27 de abril de 2010 | 09h52

O surgimento de riscos em várias partes do globo cria um clima de insegurança entre os investidores internacionais nesta manhã. A crise de dívida na Europa, a bolha imobiliária na China e a expectativa sobre a política monetária e os problemas do Goldman Sachs nos Estados Unidos pressionam os mercados de
ações e as commodities.
 
Na véspera da decisão do Fomc, a agenda do dia será dominada pelos EUA. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, discursa ao Comitê de Responsabilidade Fiscal da Casa, a partir das 11 horas (de Brasília). O
caminho da política monetária norte-americana afeta os mercados mundo afora, daí a expectativa para o encontro de amanhã e a atenção que será dada para fala de Bernanke hoje.
 
Entre os analistas, entretanto, prevalece a avaliação de que a autoridade não mexerá desta vez no compromisso de manter os juros extremamente baixos. Apesar dos fortes sinais de retomada econômica, a alta do desemprego permanece como preocupação.
 
Mas não são apenas as palavras do presidente do Fed que ganham destaque hoje. O presidente do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, terá de dar explicações ao Senado sobre a atuação no mercado de subprime. Nos últimos dias, foram divulgados e-mails comprometedores em meio à crise de credibilidade que abala os bancos.
 
Ontem à noite, os senadores republicanos conseguiram bloquear a apreciação em plenário da reforma do setor financeiro proposta pelo presidente Barack Obama.
 
Junto com a safra de balanços, o calendário de indicadores nos EUA traz hoje os preços de casas em fevereiro (10h), a confiança do consumidor do Conference Board em abril e a atividade do Fed de Richmond (11h) e a atividade do Fed de Chicago (13h).
 
Na China, os desdobramentos do comportamento do mercado imobiliário continuam trazendo preocupações. A Bolsa de Xangai voltou a cair forte hoje (-2,07%) com receios de que o governo terá de adotar novas medidas para segurar o preço dos imóveis – o que poderia ter efeitos também sobre o restante da economia.
 
Como o desempenho econômico da China interessa para todo mundo, as commodities vivem uma manhã de quedas. 
 
Na Europa, a ativação do pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) pela Grécia não foi suficiente para acalmar os investidores. Cresce o receio de que os recursos não chegarão a tempo para o compromisso de 8,5 bilhões de euros em 19 de maio.
 
A Alemanha continua relutante. Ontem, a chanceler Angela Merkel afirmou que simpatiza com os cidadãos alemães que estão descontentes com a ideia de um socorro para um membro da zona do euro e disse que a ajuda só será dada se for absolutamente necessária. Para piorar, a Moody’s voltou a rebaixar o rating dos bônus do país.
 
A crise de dívida da Europa vai ganhando proporções mais graves, pois agora está se espalhando para outros países com problemas fiscais, como Portugal, Irlanda e Espanha.

Tudo o que sabemos sobre:

EUA; Bernanke; Fomc; Grécia

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.