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Com destino de fraqueza do dólar traçado, investidor mira PIB dos EUA

28 de abril de 2011 | 10h07

Considerada bem-sucedida, a primeira entrevista coletiva do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, solidificou ontem o destino de fraqueza do dólar. Hoje, é dia de observar a desaceleração da economia dos EUA no primeiro trimestre, um dos motivos para a cautela da autoridade monetária.

Bernanke cumpriu o roteiro esperado ao passar a mensagem clara de que a política monetária seguirá frouxa. Com os juros no chão, o programa de compra de títulos será conduzido até o prazo final, em junho. Ao adotar tom mais moderado para falar da recuperação econômica e classificar a inflação de “transitória”, o presidente do Fed reforça a perspectiva de queda da moeda norte-americana.

Suas afirmações a favor de um dólar forte foram absolutamente desconsideradas, pois todo mundo sabe que o discurso não condiz com a realidade. “Apesar da retórica, a guerra cambial continua”, anota Julia Coronado, analista do BNP Paribas.

Para Chris Turner, estrategista de câmbio do ING, a tendência de fraqueza do dólar está aqui para ficar. “Isso vai conduzir as moedas emergentes para patamares ainda mais sobrevalorizados, caso do real e da lira turca.”

Como o Banco Central Europeu (BCE) adota atitude oposta ao Fed, o euro vai às alturas. “A forte divergência entre a política europeia e dos EUA continua dando impulso ao euro e, ao mesmo tempo, a crise na Grécia não teve qualquer impacto negativo sobre a moeda até agora”, avalia Allan von Mehren, analista do Danske Bank.

Os analistas gostaram de saber que o primeiro passo rumo ao aperto monetário será a decisão de não mais reinvestir os rendimentos obtidos com os títulos em carteira – o que está sendo mantido por enquanto. Trata-se de uma sinalização importante para a cronologia do processo. Também chamou a atenção o fato de Bernanke dizer que a famosa expressão de juros baixos “por um período prolongado” deve permanecer por mais “alguns” meses. O mercado acreditava que a frase ficaria por mais um semestre. Mas, mesmo assim, o presidente do Fed soou tão cauteloso que não trouxe nenhum receio de mudança de estratégia no curto prazo.

Quem sabe a desaceleração do PIB dos EUA no primeiro trimestre dá mais argumento para Bernanke, que enfrenta também divisões dentro do próprio Fed.  Nesta quarta-feira, o governo do país informou que a economia norte-americana cresceu 1,8% no primeiro trimestre. O avanço modesto foi menor do que o de 3,1% registrado no quarto trimestre do ano passado e ficou em linha com as estimativas dos economistas.

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