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Cresce pessimismo com zona do euro e analistas rebaixam projeções

19 de fevereiro de 2010 | 17h31

O desempenho aquém do esperado da atividade econômica na zona do euro aumenta o pessimismo com a retomada da região e derruba as projeções de crescimento para este ano. Já existia a expectativa de uma recuperação lenta, mas os dados recentes elevaram o risco de um processo ainda mais frágil do que o previsto.
 
Desde que foi divulgado o surpreendente resultado do PIB do quatro trimestre, com alta de apenas 0,1% sobre o trimestre anterior, analistas passaram a revisar as estimativas para a zona do euro. Se antes prevalecia a ideia de que o bloco poderia avançar até 2% em 2010, agora ganha força a percepção de que a economia pode subir apenas metade disso.
 
Os especialistas ainda aguardam o detalhamento dos dados do PIB para saber o que realmente aconteceu com a atividade da região. A avaliação é a de que o setor de serviços está passando por situação mais complicada do que a indústria.
 
Neste início de ano, dois fatores podem prejudicar a atividade: o inverno extremamente rigoroso, que inibe o consumo, e as incertezas trazidas pelos problemas fiscais da Grécia.
 
Para Ken Wattret, do BNP Paribas, as condições de demanda global e a desvalorização do euro se tornaram mais favoráveis para a região. No entanto, a situação fiscal ruim abala a confiança e as medidas para a redução dos déficits podem reduzir a demanda interna. “A persistência do frio no primeiro trimestre também é um potencial obstáculo ao crescimento.”
 
Com base nas informações mais recentes, o BNP Paribas reduziu a previsão de alta do PIB neste ano de 1,3% para 1%. Para 2011 e 2012, as estimativas foram mantidas em 1,5% e 2,5%, respectivamente. O UBS também rebaixou a projeção do PIB para a zona do euro em 2010, de 2,4% para 1,5%.
 
Apesar de manter a previsão de crescimento econômico em 1,7% para este ano, o ING avalia que um cenário de menor expansão surge como risco. O UniCredit já esperava uma retomada bastante moderada e segue estimando alta de apenas 0,9% para a zona do euro em 2010.
 
O quadro deixa mais afastada a perspectiva de aperto monetário na região. Analistas avaliam que o Banco Central Europeu não irá admitir formalmente que os problemas fiscais no bloco são motivo de maior frouxidão, mas acreditam que as incertezas geradas pelos déficits, principalmente na Grécia, tendem a desacelerar qualquer previsão de alta dos juros.
 
Especialistas também notam cada vez mais o contraste entre a situação na Europa e nos Estados Unidos, onde a atividade deu tantos sinais de retomada que levou o Federal Reserve a surpreender e anunciar o aumento da taxa de redesconto ontem à noite, no primeiro passo da estratégia de saída.
 
O Barclays Capital já fala até em “descolamento” da Europa com o restante do mundo. Ou seja, a Europa pode não conseguir alcançar a trajetória de crescimento de outras regiões este ano. O banco prevê alta de 1,2% para o PIB da zona do euro em 2010.

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