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Crise, impostos e imigração travam investimento no Reino Unido

22 de fevereiro de 2010 | 17h48

Atingido fortemente pelo furacão que arrasou o mercado financeiro, o Reino Unido tenta superar a crise atraindo empresas internacionais. No entanto, a recuperação lenta, a elevada carga tributária e a dificuldade para obtenção de vistos atravancam os investimentos estrangeiros no país.
 
O governo britânico anunciou hoje iniciativas para estimular a chegada de novos negócios durante a Global Investment Conference, evento que reuniu empresários, executivos e acadêmicos em Londres. Foi divulgada uma Carta aos Investidores, com o compromisso de manter a estabilidade econômica e de implantar um plano para a redução do déficit público, uma das maiores preocupações do momento. Também foi apresentado o esboço de uma estrutura tributária para elevar a segurança dos aportes.
 
O primeiro-ministro Gordon Brown lembrou que, há menos de um ano, os líderes mundiais do G-20 se reuniam em Londres para buscar saídas durante o pior momento da crise. “Agora, queremos ver os investimentos globais se movendo novamente.”
 
O investimento externo direto representa 40% do PIB do Reino Unido, daí o objetivo de estimular os negócios de multinacionais. Segundo o governo, essas transações asseguraram 800 mil empregos no país na última década. Londres não quer deixar de ser um centro financeiro mundial, mas a estratégia agora é diversificar a economia, voltar-se mais para a produção e apostar especialmente em tecnologia, energia limpa e indústrias criativas.
 
Mas a intenção de atrair negócios em um ambiente problemático não é fácil. A atividade britânica demora a engatar recuperação, tanto que cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2009, após um ano e meio de recessão – em contraste não só com os emergentes, mas também com os Estados Unidos, que avançam mais rapidamente. Como a economia estava centrada no setor financeiro, a crise provocou um grande buraco. O mercado encolheu e levas de profissionais deixaram a City londrina.
 
A carga tributária também está empurrando profissionais e empresas para outros países. Muitos reclamam das alíquotas do imposto de renda, que chegam a 50%. Além disso, o governo taxou os bônus distribuídos pelos bancos também em 50% neste ano. Companhias decidiram mudar a sede dos negócios para outras praças. Entre os executivos financeiros, são constantes os questionamentos sobre a permanência em Londres. “As pessoas estão o tempo todo se perguntando se vale a pena continuar trabalhando aqui, ainda mais com a desvalorização da libra”, diz um profissional que está há anos na City.
 
Durante o evento de hoje, um empresário da Líbia disse a Gordon Brown que quer investir 5 bilhões de libras no Reino Unido nos próximos anos. No entanto, criticou o peso dos impostos.
 
Outro problema é a restritiva política de imigração. Apesar de o governo dizer que tem o interesse de atrair profissionais qualificados, multinacionais e universidades reclamam das dificuldades para obtenção de vistos para executivos e estudantes estrangeiros. O sistema está passando por reformas e ficando ainda mais apertado.
 
Essa foi mais uma crítica ouvida hoje por Brown, de outro empresário com interesse em aplicar no país, mas desencorajado pelos problemas com os vistos. Na Carta dos Investidores, o governo diz que quer levar o sistema de controle de imigração aos “padrões mais elevados, facilitando as viagens legítimas, enquanto provê a segurança que o país e os negócios necessitam”. “O sistema precisa refletir a confiança mútua entre o governo e as empresas estrangeiras”, disse o ministro de Negócios do Reino Unido, Peter Mandelson.

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