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Davos encara o xadrez da economia global pós-crise

25 de janeiro de 2011 | 09h08

Os emergentes superaquecendo, os Estados Unidos engatando uma recuperação tardia e a Europa dividida entre a força da Alemanha e a fraqueza da periferia. O xadrez da economia global pós-crise está montado e será discutido nos próximos dias por 2,5 mil autoridades e especialistas no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Os extraordinários acontecimentos desde 2008 ampliaram as disparidades no cenário internacional e trouxeram desafios novos. Essa dinâmica pode ser constatada por um fato novo que ilustra bem o momento: a inflação se transforma em risco até mesmo nos países com retomada inconsistente. Mostra da interconexão cada vez mais complexa das economias.

Existe a perspectiva de que os EUA possam finalmente deslanchar neste ano, embora o desemprego elevado ainda imponha cautela, mesmo depois de todo o megaestímulo monetário e fiscal adotado pelo governo norte-americano.

A Europa vive um período de contrastes. Depois da Grécia e da Irlanda no ano passado, existe o risco de outros países da periferia terem de recorrer ao socorro externo. Enquanto isso, a Alemanha engata reação consistente, com o mercado de trabalho aquecido e vendas a pleno vapor para os emergentes.

Aliás, existe uma corrente otimista entre alguns economistas apontando que os países em desenvolvimento puxarão uma nova onda de crescimento econômico mundial – ala que ainda convive com outras avaliações bem mais contidas sobre as perspectivas globais.

De qualquer forma, o vigor dos emergentes já traz o risco de inflação global, um componente que passou a ser vislumbrado no ano passado e agora mostra suas garras. Um pouso forçado na China é o maior receio do momento, já que o país se esforça para conter os preços e deve voltar a subir os juros em breve.

As commodities superam picos registrados em 2008, antes da crise, e geram forte pressão sobre a inflação de alimentos e a energia mundo afora, um prenúncio de tensão social. Até mesmo a Europa, envolvida na crise de dívida soberana, vê o índice de preços ao consumidor superar a meta de 2%.

Mas a disparada das matérias-primas não é só reflexo do aumento da demanda nos países em desenvolvimento. O movimento é potencializado pela especulação nos mercados futuros, fruto da liquidez artificial criada pela política ultra acomodatícia dos Estados Unidos. Ao imprimir dinheiro novo para ajudar sua economia, os EUA também geram uma onda de recursos em busca de retornos mais apetitosos.

Além das commodities, as moedas emergentes têm sido os alvos preferidos, daí a chamada guerra cambial que pegou fogo em 2010 e ainda se estende neste ano. Os bancos centrais emergentes lutam como podem para segurar a valorização das moedas. O Brasil é o principal exemplo, pois mesmo depois de impor taxação ao capital estrangeiro no ano passado, o BC ainda trava batalha diária, agora com os leilões de swap reverso, para não deixar que o dólar chegue a R$ 1,65.

A 41ª edição do Fórum Econômico Mundial acontece de quarta-feira a domingo em Davos, com o tema “Normas Compartilhadas para a Nova Realidade”. Entre os chefes de governo, o evento contará com a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, o presidente da França, Nicolas Sarkosy, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, e o presidente do México, Felipe Calderón.

A delegação brasileira terá o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. O Brasil será tema de um painel no sábado, com a presença de Tombini, Coutinho e do presidente da Embraer, Frederico Curado. O objetivo é discutir as perspectivas para o País, agora sob novo governo.

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