As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Davos: recuperação global está em curso, mas minada de riscos

26 de janeiro de 2011 | 09h03

Dois anos após a crise financeira, uma recuperação econômica global está em curso. O pessimismo e o risco de um novo mergulho na recessão dão lugar ao entusiasmo com a atividade forte nos emergentes e a expectativa de reação dos Estados Unidos neste ano. Entretanto, o caminho está minado de riscos relevantes, principalmente a disparada da inflação e as dívidas fiscais dos países europeus.

O Fórum Econômico Mundial começou hoje, em Davos, com uma percepção mais equilibrada do momento atual. Se o sentimento de “fim do mundo capitalista” ficou para trás, os especialistas reunidos na comuna suíça não se arriscam a embarcar no puro otimismo e acabam ficando com um sentimento de “nem lá nem cá”.

O economista Nouriel Roubini, “celebridade” mais concorrida do evento, caracterizou o estado da economia global com a imagem do “copo meio cheio ou meio vazio”. Num sinal claro de que a situação melhorou, ele lista os atuais pontos positivos: o risco de uma recuperação em “W” diminuiu consideravelmente, os emergentes estão em forte retomada e o mundo dos negócios exibe balanços positivos nos EUA e na Europa.

Em contrapartida, a relação de riscos traz a crise soberana na Europa, a perspectiva de crescimento anêmico nos países desenvolvidos, as consequências da inflação pelo globo e a capacidade de os emergentes administrarem suas economias a fim de conseguirem um pouso suave.

O tradicional painel de abertura do Fórum em Davos, destinado a debater a “nova realidade” da economia global, também trouxe a conclusão de que o mundo está caminhando em três velocidades, como classificou Zhu Min, conselheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os emergentes avançam rápido, a Europa e o Japão caminham devagar e os Estados Unidos estão no meio. “Há uma mudança no balanço de poder”, afirmou Azim Premji, presidente do conselho de administração da empresa indiana de tecnologia Wipro.

Martin Sorrell, presidente da empresa britânica WPP, acredita que esse padrão continuará ao longo de 2011. Ele se diz surpreso positivamente pela situação atual, porque as receitas da companhia da área de comunicação e marketing estão de volta ao nível pré-crise, já que os Estados Unidos se recuperaram mais rápido do que o esperado. “Mas ainda há incertezas e os conselhos de administração estão com muito medo de cometer erros.”

Os déficits públicos são motivos de preocupação constante. Roubini reconhece que existe uma resposta política ao problema na Europa, no entanto avalia que o continente ainda tem questões fundamentais a resolver. “A Espanha é grande demais para falir, mas também é grande demais para se salvar sem os governos.”

O tema é mais urgente na Europa hoje, mas o elevado déficit dos Estados Unidos é cada vez mais citado como uma preocupação futura. “O gorila na sala é o déficit fiscal dos Estados Unidos”, disse Sorrell.

Tudo o que sabemos sobre:

Davos; Fórum Econômico; crise

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.