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Desaceleração na Europa amplia cautela com economia global

23 de setembro de 2010 | 09h38

A Europa perde velocidade e reforça a cautela dos investidores com o fôlego da recuperação global. Além da ressaca deixada pelo Federal Reserve, que praticamente enterrou as esperanças de uma retomada firme nos Estados Unidos, a já aguardada desaceleração na zona do euro acaba de ganhar o formato oficial dos números.
 
É o suficiente para provocar queda generalizada nos ativos de risco no exterior, passando por ações, euro e petróleo. Como vai ficando mais difícil saber para onde correr, os juros dos Treasuries seguem pressionados.
 
O índice de atividade do setor de manufatura (PMI) da zona do euro atingiu o menor nível dos últimos sete meses, ao marcar 53,8 em setembro, bem abaixo do número registrado no mês anterior (56,2). É a maior queda desde novembro de 2008. A principal responsável pelo resultado é a Alemanha, que até agora vinha salvando a região com suas exportações estimuladas pela fraqueza do euro.
 
A desaceleração na Europa já era dada como inevitável. Mas, os analistas começam a se preocupar com o ritmo do processo, ponto que será observado cuidadosamente daqui para frente. “Estávamos esperando alguma moderação, mas talvez agora estejamos chegando perto do limite mais baixo ainda consistente com as nossas projeções”, diz Violante di Canossa, do Credit Suisse, sinalizando que uma revisão das estimativas poderá ser necessária.
 
Já Marco Valli, do UniCredit, acredita que a desaceleração ainda está dentro do previsto. Ele avalia que a economia da região seguirá em ritmo de moderação até o primeiro trimestre de 2011, mas descarta um novo mergulho na recessão.
 
O foco de atenção é a Alemanha, por isso aumenta a importância da divulgação do índice Ifo, de sentimento para os negócios, amanhã. “Continuam a crescer as evidências de que a produção alemã está desacelerando, em linha com o esfriamento do crescimento global”, escreve o economista Ken Wattret, do BNP Paribas.
 
As perspectivas fracas para a Europa fazem o euro cair, dando espaço para o dólar depois de todo o estresse trazido pelo Fed. Mas, com a perspectiva de mais desaperto nos EUA, o fôlego da moeda norte-americana ficará sob ameaça constante.
 
Tanto que autoridades de outros países se mexem fortemente para conter a apreciação cambial, caso do Japão e do Brasil. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a falar que o governo usará o fundo soberano para comprar dólar. O objetivo é tentar secar a enxurrada no País, principalmente em razão da mega oferta de ações da Petrobras, cujo bookbuilding será fechado hoje.
 
A divulgação do indicador europeu pegou os mercados internacionais num momento já nebuloso, diante das incertezas com a economia dos Estados Unidos. Vai se consolidando a visão de que o Fed terá mesmo de voltar a imprimir dinheiro, embora existam dúvidas sobre a eficácia de novas medidas. Fica a sensação de que não sobra muito a fazer para ajudar a economia.
 
Até mesmo os fortes estímulos fiscais para salvar o mercado imobiliário estão sendo questionados, em razão da fraqueza do setor. “O crédito fiscal custou muito dinheiro para o governo dos EUA, mas seu impacto tem sido decepcionante”, avalia Philip Marey, do Rabobank.
 
Hoje, a agenda traz o setor de residências como destaque, com as vendas de imóveis usados em agosto, às 11 horas (de Brasília). O calendário conta ainda com os indicadores antecedentes de agosto da Conference Board (11h).

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