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Desânimo sobre economia global toma conta dos mercados no exterior

24 de setembro de 2010 | 09h36

Desânimo. Essa é a palavra que define o estado dos investidores internacionais sobre a economia global. Ninguém encontra motivos para se acalmar em relação à velocidade lenta da retomada nos Estados Unidos e na Europa.
 
As atenções seguem voltadas para os indicadores econômicos, capazes de montar o cenário da recuperação. Um novo mergulho na recessão continua sendo descartado, mas o pós-crise vai se mostrando mais difícil do que o esperado. Depois de tudo que os governos já fizeram, as grandes economias ainda patinam.
 
Nem mesmo o favorável índice Ifo de sentimento das empresas divulgado hoje na Alemanha foi capaz de levantar as bolsas no exterior, embora tenha ajudado o euro. O indicador superou a projeção ao subir para 106,8 em setembro. O número concentrava expectativas após a decepção com a atividade industrial na zona do euro conhecida ontem.
 
Mas, os investidores estão convencidos de que a Europa está fadada ao esfriamento econômico nos próximos meses. Dentro do Ifo, os economistas reparam que o sub-índice de expectativa para os negócios recuou pelo segundo mês seguido. “Consequentemente, o número sugere enfraquecimento do crescimento econômico”, avalia Ralph Solveen, analista do Commerzbank.
 
Também não anda pegando nada bem a situação da Irlanda, a primeira da região a partir para um forte corte de gastos e combate de déficit. O PIB recuou 1,2% no segundo trimestre, os bancos voltaram a despertar preocupação e o spread do custo do seguro dos bônus (CDS) segue em nível elevado.
 
Nos Estados Unidos, os investidores se concentram na agenda de indicadores, com destaque para as vendas de imóveis novos em agosto. O setor imobiliário é foco de preocupação, ainda mais depois que o conselheiro da Casa Branca Paul Volcker afirmou que o mercado de hipotecas está “absolutamente quebrado”.
 
Símbolo dos cacos deixados pela crise, vem aí Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, novo filme de Oliver Stone que estreia hoje. Ele traz de volta o lendário personagem Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas. Imperdível para refletir neste momento ainda incerto de pós-crise.

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