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Dia promete muita agitação com testes de estresse na Europa

23 de julho de 2010 | 09h22

Ninguém quer ficar estressado em plena sexta-feira. Mas o dia promete muita agitação nos mercados com a divulgação dos testes de qualidade dos bancos europeus. Criou-se a expectativa de que as provas podem representar uma guinada definitiva no sentimento dos investidores, assim como aconteceu nos Estados Unidos em maio do ano passado.

Está com todo o jeito de que a arrancada dos mercados mundo afora ontem foi uma antecipação aos resultados que saem a partir das 13 horas de hoje (de Brasília), já com as praças europeias fechadas. O clima nesta manhã é de cautela nas bolsas da Europa, embora o euro avance firme.

Diversos analistas dizem que a vasta maioria dos bancos deve ir bem, um alívio no meio desta nova crise europeia. Mas o real impacto sobre os mercados vai depender do nível de transparência e rigidez dos testes. De nada adianta todo mundo passar se a prova for fácil demais.

É esperado que algumas instituições sejam reprovadas, como na Espanha e na Grécia, além dos rumores de que o alemão Hypo Real State também enfrentará dificuldades. “Imaginamos que qualquer banco com deficiência anunciará, ao mesmo tempo, como irá levantar capital”, avalia Chris Turner, estrategista de câmbio do ING.

Detalhes da metodologia e a transparência da divulgação são pontos-chave e podem azedar o humor caso não venham a contento. Conforme o ING, alguns países se mostram relutantes em divulgar a exposição exata de seus bancos aos títulos de dívidas das nações periféricas da Europa.

O estrategista do Deutsche Bank em Londres, Jim Reid, espera transparência limitada. “É mais um exemplo nessa longa crise de uma solução ‘band-aid’, que durará alguns meses, mas não deve curar o problema”, escreve aos clientes.

A ansiedade em torno dos testes de estresse é forte nesta manhã e ninguém fala em outra coisa. Analistas acompanham as últimas informações de bastidores em busca de pistas mais específicas. Especialistas relatam que ainda existem rumores de que os resultados, ou ao menos a metodologia, possam sair antes do previsto.

O The Wall Street Journal diz que, dos seis bancos gregos testados, o estatal ATEBank pode ser reprovado. O El País traz a informação de que diversas cajas precisarão levantar capital novo, o que já é esperado pelo mercado diante dos problemas recentes.

Testes à parte, chama a atenção artigo do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, no Financial Times hoje. Ele defende que todos os países industrializados adotem imediatamente cortes de gastos e aumento de impostos. Segundo Trichet, os que querem prolongar o estímulo estão equivocados. Nem é preciso dizer que o artigo gera polêmica entre os economistas.

De qualquer forma, o Reino Unido vê a era da austeridade no dia-a-dia. Como relatou ontem o The Independent, o primeiro-ministro David Cameron foi visitar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em voo regular da British Airways, abandonando o costume de usar voo charter. A imagem de Cameron comendo cachorro-quente na rua com o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, serviu bem para a imprensa britânica constatar o período de vacas magras.

Em compensação, o Reino Unido recebeu hoje a boa notícia de que a economia cresceu 1,1% no segundo trimestre, ao em relação ao primeiro, no maior avanço em mais de quatro anos.

A informação ajuda a libra, que subia a US$ 1,54345, de US$ 1,5265 no fechamento de ontem em Nova York, às 9h25 (de Brasília). O euro também avança a US$ 1,2898, de US$ 1,2892. O dólar operava a 87,45 ienes, de 86,93 ienes na véspera.

As bolsas de Londres (-0,20%), Paris (+0,55%) e Frankfurt (+0,62%) oscilavam ao redor da estabilidade, no mesmo horário (acima). O petróleo cedia 0,69%, para US$ 78,75 o barril.

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