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EUA entram em contagem regressiva tensa para solucionar dívida

25 de julho de 2011 | 12h40

Está dada a largada para a contagem regressiva rumo ao prazo final de acordo para aumento do teto da dívida dos Estados Unidos. A pouco mais de uma semana da data limite de 2 de agosto, a falta de entendimento entre democratas e republicanos amplia as tensões. Em jogo, está a estabilidade do sistema financeiro internacional.

Depois de todo o suspense envolvendo a crise da zona do euro, agora as atenções se voltam ao endividamento norte-americano. Se o teto de US$ 14,2 trilhões não for elevado até 2 de agosto, o país corre o risco de entrar em default técnico. Essa possibilidade nem de longe está precificada, pois geraria um tsunami nos mercados globais. As notícias do final de semana não são boas: os republicanos se retiraram das negociações com a Casa Branca e as conversas não avançaram.

Especialistas continuam acreditando num acordo político de última hora. Entretanto, estão crescendo as preocupações com a sustentabilidade da dívida dos EUA. Existe o temor de que, mesmo com um acerto, o plano para reduzir o déficit não seja firme o suficiente para convencer os investidores e, principalmente, as agências de rating. Mesmo com todo o estrago de credibilidade sofrido durante a crise financeira global, as classificadoras de risco continuam dando as cartas, como fica claro no caso da Grécia.

“Quanto mais perto chegamos do prazo final de 2 de agosto, mais as tensões dos mercados devem crescer, pois os riscos de um rebaixamento dos EUA continua claramente fora dos preços”, avalia Lena Komileva, estrategista da corretora Brown Brothers Harriman. Para ela, não está claro se uma solução de curto prazo conseguirá estabilizar a confiança ou impedir uma ação das agências de rating.

Conforme o tempo passa, aumenta a probabilidade de uma solução somente de curto prazo, o que pode levar as classificadoras de risco a uma avaliação sombria para decidir sobre a nota AAA dos EUA, avalia Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING. Há poucas semanas, as negociações sobre a dívida dos EUA eram vistas como um “não evento”, dada a convicção de que tudo daria certo no final. “Ao invés disso, esse caso está evoluindo para um grande risco aos mercados globais”, diz Lena.

Na Europa, depois do alívio trazido pela ação firme das lideranças, agora os investidores acompanham principalmente os desdobramentos do default grego. Será importante acompanhar o impacto das perdas sobre os bancos e investidores daqui para frente. O pacote robusto de medidas definido em reunião de cúpula na semana passada foi bem recebido, mas ainda existem dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida da Grécia, um problema que deve voltar a aparecer no futuro.

Hoje cedo, a Moody´s cortou a nota grega em três níveis (de Caa1 para Ca), para o status de “junk”. A agência avalia que os credores sofrerão prejuízos substanciais com o plano anunciado pelas autoridades europeias. Segundo a agência, esse pacote de medidas indica que a probabilidade de uma troca tumultuada e um default dos títulos do governo grego é “praticamente de 100%”.

O calendário de indicadores internacionais fica em segundo plano, mas está recheado nesta semana. Nos EUA, saem a preliminar do PIB do segundo trimestre na sexta-feira e o Livro Bege do Fed na quarta, enquanto prossegue a safra de balanços. Na Europa, os destaques são a preliminar do PIB do segundo trimestre do Reino Unido amanhã e a inflação ao consumidor da zona do euro na sexta.

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