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Euro sobe com solução para Grécia, mas incerteza limita ações na Europa

26 de março de 2010 | 09h59

O acordo da União Europeia sobre a Grécia elimina a possibilidade de default no curto prazo, mas as incertezas sobre os déficits na região permanecem. Por isso, os investidores internacionais reagem sem euforia às decisões da reunião de cúpula realizada ontem.
 
Enquanto o euro avança e recupera perdas com o suporte vindo de novas declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, as bolsas europeias tocam o terreno negativo nesta manhã.
 
Depois de um longo período de conversas, os líderes da zona do euro decidiram que irão socorrer a Grécia. Mas a ajuda só virá em último caso, ou seja, se o país realmente não conseguir recursos no mercado para honrar suas dívidas. Ainda assim, o pacote prevê acordos bilaterais das nações do bloco juntamente com o tão polêmico suporte do Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
De qualquer forma, a entrada do fundo ganhou o aval de Trichet, o que traz alívio para o euro hoje. Até então, o presidente do BCE parecia se opor à estratégia. No entanto, ontem à noite afirmou que a solução obtida é “executável”. Hoje acontece o segundo dia de reunião de cúpula da União Europeia, em Bruxelas.
 
Para o economista Paul Donovan, do UBS, trata-se de um “novo Plano Marshall”, numa referência ao programa de recuperação dos aliados europeus lançado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial – já que os EUA possuem a maior fatia do FMI. Ele avalia que, apesar de melhorar a perspectiva no curto prazo, os riscos permanecem. Tanto que o banco agora prevê o euro a US$ 1,30 no final deste ano e a US$ 1,25 em 2011.
 
A entrada do FMI levanta discussões sobre a habilidade de os países da zona do euro resolverem seus próprios problemas sem a necessidade de ajuda externa. Mas, alheios a essa relevante questão política, diversos analistas acreditam que esse é o caminho mais apropriado. O remédio do FMI é reconhecidamente amargo, o que para os mercados se traduz como uma postura eficiente e austera no combate ao déficit.
 
“Enquanto alguns participantes do mercado podem ver o envolvimento do FMI como evidência de incapacidade, o impacto de longo prazo pode ser melhor do que o esperado”, diz Carsten Brzeski, do ING. “A proposta de ontem deve se mostrar a melhor solução.”
 
O economista do Goldman Sachs para a Europa, Erik Nielsen, acredita que a Grécia terá sim de recorrer ao fundo. Se não até maio, quando acontecem importantes vencimentos de dívidas, antes do final do ano. Ele prevê um programa de financiamento de 20 bilhões de euros, com prazo de 18 meses, dividido entre o FMI e países europeus. E já avisa: o plano virá com condições draconianas.
 
Com a decisão de ontem, está dado o recado para outros membros da zona do euro em dificuldades: será preciso suar e cumprir fortes ajustes para conseguir ajuda, que virá somente em último caso. Portugal deve ter prestado muita atenção, agora que divide com a Grécia as maiores preocupações fiscais da região.
 
Fora da zona do euro, o Reino Unido também tem um rombo considerável a resolver, estimado pelo governo em 11,8% do PIB neste ano. O orçamento divulgado nesta semana foi político, tendo em vista as eleições esperadas para maio, e evitou cortes de gastos públicos. A libra continua sentindo os efeitos da política britânica, negociada na casa de US$ 1,48. “Na minha visão, o rating do Reino Unido começa a ser bastante questionado”, disse a chefe de pesquisas do Itaú Europa em Lisboa, Ana Esteves.
 
Nos Estados Unidos, a tarefa hoje é acompanhar novos dados para medir a velocidade da recuperação econômica. Às 9h30 (de Brasília), sai o PIB final do quarto trimestre, junto com o índice de preços do PCE. Às 10h55, vem a versão final do índice de sentimento do consumidor de Michigan em março.

 
Começa chamar a atenção a alta exibida pelos juros dos títulos do governo norte-americano nesta semana. A princípio, parece ser reflexo da elevada oferta de novos papéis para financiar o déficit do país. O estrategista de câmbio do ING, Chris Turner, questiona se existe algo além nesse movimento: indigestão, sinal de redução das compras pela China ou falta de apetite diante da perspectiva de alta dos juros pelo Fed? “Pode representar um pouco de cada um desses três”, avalia.

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