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Europa apaga pessimismo com Bernanke antes dos testes de estresse

22 de julho de 2010 | 09h26

Os investidores estão tão carentes de sinais positivos sobre a economia que um único indicador favorável sobre a zona do euro foi capaz de reverter o pessimismo deixado por Ben Bernanke ontem. Mas o caminho para os próximos dias será mesmo dado pelos tão aguardados testes de estresse dos bancos europeus.

Quem olha para os mercados internacionais nesta manhã nem reconhece: é como se as palavras desanimadoras do presidente do Federal Reserve tivessem evaporado. Ações, euro e petróleo reagem em alta à divulgação do índice de atividade (PMI) da zona do euro em julho, que veio acima do esperado. O número composto subiu a 56,7, enquanto o consenso previa queda para 55,2, de 56 em junho.

“O anúncio sinaliza que a confiança dos negócios começou o terceiro trimestre forte. No entanto, ainda é muito cedo para dar peso significativo a essa avaliação”, escreve aos clientes o economista Nick Verdi, do Barclays Capital.

Marco Valli, do UniCredit, também coloca uma dose de cautela. Segundo ele, o número reflete o forte desempenho da Alemanha, que se beneficia do aumento das exportações como reflexo da desvalorização do euro. O economista acredita que esse efeito será menor daqui para frente e o crescimento da região tende mesmo a moderar.

A desaceleração, como ficou claro nos últimos dias, não é exclusividade da Europa. Estados Unidos, Ásia e também o Brasil engatam ritmo de crescimento mais lento – tanto que o Copom reduziu a dose ontem, ao elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 10,75%.

Foi exatamente a avaliação cautelosa sobre a economia dos EUA emitida pelo presidente do Fed que derrubou os mercados na véspera. É claro que os investidores exageraram no posicionamento otimista sobre a fala de Bernanke, imaginando até novas medidas de estímulo para já, algo descartado pelos economistas.

De qualquer forma, além da “decepção” com a ausência de iniciativas extra, uma expressão para definir as condições da economia dos EUA chamou especialmente a atenção de todos: “anormalmente incertas”. A descrição foi considerada um passo além da cautela já exibida pela ata do Fomc.

O grande momento para os mercados internacionais nesta semana está reservado para amanhã, com a divulgação dos resultados dos testes de estresse na Europa. Conformou apurou a correspondente da Agência Estado em Nova York, Luciana Xavier, poucos bancos devem falhar, mas ainda assim deve ser identificada a necessidade de capitalização de algumas instituições. Os especialistas consideram positivo que isso aconteça, para não ficar a impressão de que os critérios adotados na avaliação foram suaves demais.

Ontem, circulou a informação de que a União Europeia pode antecipar a divulgação dos resultados para a madrugada desta sexta-feira, antes de os mercados abrirem. Mas nesta manhã, uma porta-voz da Comissão Europeia informou que os testes vão sair mesmo às 13h (de Brasília), como estava previsto. Todo mundo grudado nas telas para acompanhar cada detalhe do assunto. Amanhã o dia promete.

Às 9h25 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,93%), Paris (+1,83%) e Frankfurt (+1,66%) avançavam, assim como o petróleo (+0,41%, a US$ 75,68).

No mesmo horário (acima), o euro subia a US$ 1,2864, de US$ 1,2763 no fechamento de ontem em Nova York. A libra acompanhava, a US$ 1,5280, de US$ 1,5170. O dólar valia 86,84 ienes, de 87,01 ienes na véspera.

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