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Expectativa com nova ação do Fed acalma mercados internacionais

26 de agosto de 2010 | 09h25

Está crescendo a percepção de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) terá de tomar novas medidas para estimular a economia do país. A sucessão de indicadores decepcionantes aumenta a pressão sobre a autoridade monetária e cria grande expectativa para o discurso de Ben Bernanke amanhã.

Esse é o grande tema para os investidores internacionais, pois a agenda externa de hoje é mais fraca e a tarefa se restringe a monitorar os dados de auxílio-desemprego nos EUA.

A possibilidade de o Fed voltar a imprimir dinheiro para incentivar a atividade ajuda a explicar o fato de o mercado ter se acalmado nas últimas horas, apesar de novos dados negativos sobre a maior economia do mundo. Depois da recuperação de ontem em Wall Street, as bolsas europeias operam no campo positivo e as commodities avançam nesta manhã.

O economista-sênior do UBS em Londres, George Magnus, avalia que o desaperto quantitativo será retomado porque é uma alternativa ao estímulo fiscal. Sem ele, tendência de deflação ficará mais forte.

Os especialistas não se convenceram com a repentina virada dos mercados ontem em Nova York, já que as avaliações sobre a economia dos EUA continuam pessimistas. “Essa recuperação dos preços provavelmente não dará muito conforto para Bernanke enquanto ele prepara o discurso de amanhã”, diz Julia Coronado, do BNP Paribas, referindo-se à fala durante o Jackson Hole Symposium.

Para ela, os últimos indicadores econômicos já ultrapassaram o limite necessário para se mover rumo a mais afrouxamento e o presidente do BC norte-americano deixará isso claro em seu discurso.

A ação do Federal Reserve foi o grande divisor de águas durante a crise financeira global. A partir do momento que a autoridade passou a imprimir dinheiro para comprar títulos, os mercados arrancaram numa disparada espetacular e inimaginável em plena retração mundial.

A liquidez artificial criada pelo Fed provocou forte procura pelo risco e inflou os ativos emergentes, gerando até discussões sobre bolhas, inclusive no Brasil. Portanto, novas medidas têm o potencial para revirar as estratégias de investimentos, o que justifica a ansiedade para os próximos passos do BC.

Às 9h24 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,50%), Paris (+0,39%) e Frankfurt (+0,19%) operavam em alta. O petróleo tinha forte ganho de 1,09%, para US$ 73,31 o barril.

No mesmo horário (acima), o euro caía a US$ 1,2694, de US$ 1,2655 no fim da tarde de ontem em Nova York. A libra operava a US$ 1,55408, de US$ 1,5450. O dólar valia 84,44 ienes, de 84,78 ienes na véspera.

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