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Expectativa de ajuda à Grécia volta a sustentar mercados globais

10 de fevereiro de 2010 | 08h50

A expectativa de ajuda para a Grécia guia os mercados globais, na véspera da reunião do Conselho da União Europeia, em Bruxelas. Depois de penalizarem fortemente os ativos dos países europeus com dificuldades fiscais, agora os
investidores apostam em um socorro vindo da Alemanha.
 
Foi essa possibilidade que permitiu a retomada das bolsas ontem e hoje sustenta as praças europeias e o euro no terreno positivo – embora os futuros de Nova York apontem desvalorizações.
 
Jornais como o Financial Times e o The Wall Street Journal trazem informações sobre a preparação de apoio para a Grécia. Segundo o FT, Berlim quer construir um “muro guarda-fogo” para impedir que a crise fiscal saia do controle. Existe a
preocupação de que a onda de venda dos ativos gregos, principalmente os títulos do governo, atinja os bancos alemães e outros da zona do euro, conforme o FT.
 
De acordo com o WSJ, o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, discutiu recentemente com o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, a ideia de um plano de ajuda formatado dentro da estrutura da União Europeia, mas
liderado pela Alemanha. Aliás, a informação de que Trichet anteciparia sua volta da Austrália para participar da reunião do Conselho da EU, amanhã, deu impulso à percepção de que um resgate está chegando.
 
Na Grécia, a tensão social e a insatisfação da população persistem. Está prevista para hoje uma greve que deve afetar os serviços públicos, hospitais e aeroportos.
 
Analistas já discutem qual será o comportamento dos ativos a partir de um eventual pacote de resgate. Para hoje, as informações sobre a ajuda devem manter “o moral dos investidores em alta”, conforme o Unicredit, o que beneficiará os títulos da Grécia e de outros países considerados periféricos no grupo. No entanto, a instituição acredita que o plano terá de mostrar vigor para aliviar também as pressões sobre Portugal e Espanha.
 
Para o ING, a confirmação do pacote pode levar o euro para US$ 1,40 no curto prazo. “Mas continuamos em dúvida se a ajuda devolveria a confiança necessária para estimular algo mais do que uma agitação temporária”, diz Tom Levinson, estrategista de câmbio do banco.
 
Nos EUA, a nevasca em Washington provocou o cancelamento do aguardado depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Comitê Financeiro da Câmara, sobre a estratégia de saída para a política monetária. Mas, o texto preparado por ele deve ser divulgado.
 
Na China, os números da balança comercial em janeiro vieram abaixo do esperado hoje. As exportações subiram 21% em relação ao mesmo período do ano passado, menos do que os 28,5% previstos. As importações mostraram alta de 85,5%,
enquanto o consenso apontava para crescimento de 89,5%.
 
Para os analistas Wensheng Peng e Jian Chang, do Barclays Capital, esses dados podem moderar as perspectivas de crescimento e aperto monetário na China – assunto que incomoda os investidores.

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