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Expectativa de aperto na China prevalece e exterior mantém cautela

20 de janeiro de 2011 | 09h05

Mesmo com a redução da inflação na China, os investidores internacionais seguem preocupados com a dose de alta de juros que ainda virá pela frente. Os dados confirmados hoje mostram que a economia chinesa se acelerou no quarto trimestre de 2010, ao contrário do esperado. Pesa nesta manhã a leitura de que as autoridades devem adotar novas medidas de aperto monetário até mesmo antes do ano novo chinês, no início de fevereiro.

A interpretação dos investidores se junta ao gosto amargo deixado pelo balanço ruim do Goldman Sachs e pelos dados fracos sobre o setor de moradia nos Estados Unidos, que derrubaram as bolsas ontem. “Os mercados financeiros estão se consolidando após os ganhos registrados pelos ativos de risco no começo do ano”, avalia Chris Turner, estrategista de câmbio do ING.

A China confirmou hoje que cresceu 10,3% em 2010, acima do avanço de 9,2% no ano anterior. Apesar de a inflação ter cedido para 4,6% em dezembro, graças à retração dos preços dos alimentos, o PIB acelerou 9,8% no quarto trimestre, de 9,6% no terceiro trimestre, ao contrário do esperado. Os números já haviam vazado na véspera por uma TV de Hong Kong. “Os dados são suficientes para dar suporte à expectativa de mais aperto monetário e isso claramente não é positivo para o mercado de ações asiático”, acredita Jens Peter Sorensen, analista do Rabobank.

A Bolsa de Xangai recuou 2,89% hoje, revertendo os ganhos do dia anterior. Os números chineses também pressionam as commodities nos mercados internacionais, principalmente os metais, que recuam por volta de 1% nesta manhã. Na Europa, as bolsas abriram em queda, mantendo o clima de cautela.

Nas próximas horas, as atenções se voltam para os balanços e indicadores dos Estados Unidos. Depois da decepção com o Goldman Sachs, aumenta a relevância dos números do Morgan Stanley, antes da abertura dos mercados. No final do dia, vêm Google e AMD.

Às 11h30 (de Brasília), sai o balanço do auxílio-desemprego, seguido pelas vendas das casas usadas em dezembro, o índice de indicadores antecedentes do Conference Board em dezembro e a atividade do Fed da Filadélfia em janeiro, todos às 13h. Com o petróleo perto da casa dos US$ 100,00, ganham importância os dados sobre estoques, a serem divulgados às 14h.

Às 9h04 (de Brasília), as bolsas de Londres (-1,43%), Paris (-0,44%) e Frankfurt (-0,78%) recuavam, junto com o petróleo, a US$ 90,37 (-0,54%) na Nymex. O euro valia US$ 1,3490, de US$ 1,3474 no fechamento de ontem em Nova York. O dólar era cotado a 82,22 ienes, de 82,02 ienes.

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