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Expectativa de pacote maior para a Grécia sustenta ativos na Europa

29 de abril de 2010 | 10h09

Está consolidada a visão de que a conta da Grécia ficará mais cara. A típica indefinição política da Europa agravou bastante a situação e gerou uma crise de dívida já alastrada para outros países com problemas fiscais. Agora, fala-se em um novo pacote entre 100 bilhões de euros e 120 bilhões de euros para um período de três anos.
 
A expectativa de um socorro mais polpudo para a Grécia ameniza as tensões e sustenta os ativos europeus em alta nesta manhã. Analistas acreditam que o anúncio deve ser feito neste final de semana ou até antes disso, pois as autoridades estariam finalmente convencidas da necessidade de uma ação rápida, diante da gravidade da situação.
 
De fato, a escalada da crise de dívida pode gerar consequências desastrosas, não só para a região como para o restante do globo. Daí a necessidade de isolar o caso grego e agir com firmeza para impedir a reestruturação da dívida e um colapso sistêmico. Ontem, o economista Nouriel Roubini disse que a Grécia é apenas a “ponta do iceberg”.
 
Numa mostra de que o problema já levanta preocupação em outras partes do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou ontem por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutir a importância de suporte para a Grécia.
 
Conforme o Dankse Bank, é provável que a iniciativa do telefonema tenha sido de Obama, para colocar pressão na Alemanha e permitir o fechamento de um acordo o mais rápido possível. “Parece que os políticos estão finalmente percebendo a urgência da questão, um pouco tarde, pode-se dizer.”
 
Depois de Portugal, ontem foi a vez de a Espanha, uma economia bem maior, ter o seu rating rebaixado pela Standard and Poor’s. Apesar da falta de crédito das agências, explicitada até pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, os investidores continuam reagindo imediatamente aos rebaixamentos.
 
O ambiente nos mercados europeus segue frágil, embora seja possível algum alívio hoje. Uma questão que se coloca é de onde virão os recursos adicionais para a Grécia, já que os países enfrentam pressões internas contra a liberação de dinheiro. Uma possibilidade é a ação mais incisiva do próprio FMI.
 
Reportagem do The New York Times diz que as instituições financeiras da Alemanha já possuem exposição de 28 bilhões de euros em títulos gregos, segundo estimativa do Barclays Capital. Metade desse valor estaria com instituições que pertencem ao próprio governo alemão.
 
Os problemas fiscais afetam outros países desenvolvidos, como os EUA, Reino Unido e Japão. Mas os emergentes, como o Brasil, estão em posição bem mais confortável, pois tinham a casa em ordem antes do colapso do Lehman Brothers e agora desfrutam de crescimento econômico acelerado.
 
Tanto que o Brasil iniciou ontem o ciclo de aperto monetário com uma dose mais forte, já de 0,75 ponto porcentual, para 9,5%. O diferencial de juro com o restante do mundo permitirá que os recursos continuem entrando, com a óbvia consequência do real apreciado.
 
“De forma geral, os mercados emergentes possuem mais risco de pressão inflacionária, comparado ao cenário de inflação benigna nas economias desenvolvidas”, diz Paul Donovan, do UBS.
 
Isso ficou bastante explícito na quarta-feira, quando o Federal Reserve manteve seu compromisso de deixar os juros extremamente baixos, embora com avaliação mais positiva sobre a economia, enquanto o Brasil se unia ao movimento de aperto já em curso na Índia, por exemplo. Depois de tremer na terça-feira, ontem a Bovespa já conseguiu se isolar da tensão europeia e seguir Wall Street, com leve ganho do fechamento.

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