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Explosão da crise de dívida na Europa mantém o clima tenso

28 de abril de 2010 | 10h04

A bomba-relógio da crise de dívida na Europa acabou explodindo. Depois de meses de imbróglio, os governos não conseguiram chegar a uma solução definitiva para os problemas da Grécia e agora veem o efeito do contágio para outros países da região.
 
A conta deve ficar ainda mais alta, pois é generalizada a percepção de que os recursos já prometidos pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), de até 45 bilhões de euros, não são suficientes para resolver o rombo grego. Pior do que isso, diversos analistas já dizem que, mesmo com um suporte maior, a Grécia poderá ter de reestruturar sua dívida.
 
O clima é tenso nos mercados do continente. As principais bolsas europeias continuam registrando quedas, embora o euro consiga sair da mínima de um ano registrada ontem. Nesta manhã, os juros dos títulos gregos de dois anos superaram 23%, refletindo a falta de confiança dos investidores.
 
O ambiente levou os reguladores da Grécia a proibirem a venda a descoberto no mercado de ações, após fortes quedas registradas nos papéis dos bancos.
 
A situação vem se montando há meses diante do elevado endividamento dos países na Europa. Mas a indefinição do bloco sobre a Grécia, com o jogo duro da Alemanha, agravou o cenário. As preocupações dos investidores extrapolaram para Portugal, Irlanda e Espanha, apesar de os fundamentos econômicos desses
países serem considerados melhores.
 
Ontem, o dia reservou momentos pesados nas mesas de operações. O estresse já estava presente desde cedo, mas só piorou com o rebaixamento das dívidas de Portugal e Grécia pela Standard and Poor’s. Agora, os títulos do país berço da civilização ocidental são considerados “junk”.
 
Segundo o Financial Times, há negociações para o FMI aumentar a ajuda oferecida à Grécia em 10 bilhões de euros. “É improvável que isso melhore a confiança dos mercados significativamente diante da falta de coordenação internacional”, avalia o Unicredit.
 
Para o Danske Bank, a dinâmica vista neste momento segue o caminho preocupante já verificado anteriormente na crise da Ásia, quando problemas concentrados em uma pequena região acabaram se alastrando e afetando o
mundo todo, inclusive o Brasil e a Rússia. “A situação deve ser considerada muito seriamente”, diz o banco em relatório a clientes.
 
Ontem, a turbulência se espalhou, atingiu todos os mercados, inclusive as commodities e também a Bovespa, que recuou quase 3,5%.
 
Nesse estresse todo, fica ainda mais improvável que o Federal Reserve retire hoje seu compromisso de manter os juros extremamente baixos nos Estados Unidos. O comunicado resultante da reunião de política monetária sai às 15h15 (de Brasília). Analistas acreditam que o Fomc fará uma avaliação mais positiva das condições
econômicas dos EUA, a partir da recuperação acelerada.
 
No Brasil, o caminho da política monetária traz fortes expectativas. O País inicia hoje mais um ciclo de aperto de juros e ganha força a visão de que a dose será forte, de 0,75 ponto porcentual.

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