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Exterior acompanha Grécia e aguarda dados dos EUA com instabilidade

23 de fevereiro de 2010 | 10h42

É com tranquilidade que os investidores internacionais aguardam novos dados da economia dos Estados Unidos, as avaliações do Federal Reserve e as movimentações sobre a Grécia, temas que dominam a agenda dos próximos dias. Há espaço para a busca de ativos.
 
Teoricamente, movimentos definitivos dos mercados devem vir a partir de amanhã, quando acontece o evento mais aguardado da semana: a apresentação do relatório semestral sobre política monetária do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Congresso. As palavras da autoridade monetária ganharam ainda mais relevância depois da surpresa com a alta da taxa de redesconto na semana passada.
 
Mas esta terça-feira guarda indicadores bem acompanhados pelos investidores e a situação da Grécia requer atenção constante. Também despertou comentários mais cedo a informação de que o governo de Dubai teria destinado recursos para
o conglomerado Dubai World, que teve problemas para pagar dívidas recentemente, conforme divulgou um jornal local.
 
Na Europa, logo cedo veio um tropeço: o Ifo, índice de ambiente para os negócios divulgado na Alemanha, marcou 95,2 em fevereiro, abaixo da previsão de 96,4.
 
Cresce a percepção de que a recuperação da zona do euro será ainda mais lenta do que o imaginado. O déficit fiscal da Grécia e o inverno rigoroso deste ano elevam as incertezas e fazem os analistas rebaixarem as projeções para o bloco. Ontem, a Comissão Europeia negou que um pacote de ajuda financeira para a Grécia estivesse para sair. Agora, investidores aguardam uma possível emissão de bônus de dez anos.
 
Também ronda a polêmica sobre as transações realizadas pelo país com o Goldman Sachs em 2001. Negócios com derivativos fechados pelo ex-governo conservador teriam camuflado o tamanho da dívida grega. Ontem, pela primeira vez um
executivo do banco abordou o assunto em público. Gerald Corrigan, ex-presidente do Federal Reserve de Nova York e há mais de dez anos no Goldman, afirmou ao parlamento do Reino Unido que “os padrões de transparência poderiam e
provavelmente deveriam ter sido mais rigorosos”, conforme relata o Financial Times.
 
A questão do risco soberano, resultado dos pacotes de socorro e da queda da arrecadação durante a crise, não deve sair do radar tão cedo. Hoje mesmo, Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, afirmou em Tóquio que alguns países devem dar calotes nas dívidas nos próximos anos. Ele também alertou para a situação dos Estados Unidos e Reino Unido, que poderiam enfrentar problemas parecidos com os da Grécia.
 
Nos EUA, a agenda de hoje traz como destaque o índice de preços de casas da S&P/Case-Shiller (às 11 horas, de Brasília) e a confiança do consumidor da Conference Board (às 12h). Por lá, a questão do inverno pesado, com direito a nevasca épica em Washington, também pode afetar a atividade, como alerta a analista Julia Coronado, do BNP Paribas. O clima teve impacto sobre o setor de construção, com resultado sobre o aumento dos pedidos de auxílio-desemprego. O frio também significa que as famílias devem gastar mais com serviços públicos e menos com o varejo, avalia.
 
Mais encorajadora está a avaliação do vice-presidente do BC da Austrália, Ric Battellino. Ele afirmou hoje que a economia do país começa a sentir os efeitos de um novo boom da mineração, puxado pelo crescimento da China e da Índia. Esse
movimento pode inclusive ter duração maior do que o anterior, interrompido pela crise financeira. As declarações puxaram com as commodities metálicas.
 
Já o petróleo cambaleia depois do vencimento do contrato futuro ontem, em queda de 0,45%, para US$ 79,95, no pregão eletrônico da Nymex. A questão do momento é saber se o óleo é capaz de se sustentar acima dos US$ 80,00 no atual
ambiente. O Centro para Estudos de Energia Global (CGES, na sigla em inglês) acredita que não. Em relatório divulgado ontem, o instituto afirmou que a recuperação ainda incerta, principalmente na Europa, e a valorização do dólar deixam o ambiente incerto para a commodity.

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