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Exterior aguarda balanços dos EUA em clima tranquilo

20 de abril de 2010 | 09h45

A safra de balanços nos Estados Unidos ganha velocidade hoje e concentra as atenções dos investidores internacionais. Ontem mesmo, as tensões causadas pelo Goldman Sachs e o vulcão na Europa cederam depois que o Citigroup anunciou lucro de US$ 4,4 bilhões nos primeiros três meses do ano, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2007.
 
Nesta manhã, o clima no exterior é leve e as bolsas europeias conseguem operar no terreno positivo, enquanto aguardam mais uma rodada de balanços, a começar pelo próprio Goldman Sachs, antes da abertura dos pregões nos EUA.
 
A questão é saber se o resultado do banco conseguirá aliviar o desconforto causado pela acusação da Securities and Exchange Commission (SEC) de que o Goldman teria omitido informações importantes sobre um produto financeiro ligado ao subprime.
 
A denúncia acaba dando força para a proposta de reforma financeira do presidente Barack Obama, que chega ao Senado nesta semana. Também aparece dias antes da reunião dos ministros de Finanças do G-20 e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Na Europa, existe pressão para que os países aprovem um imposto sobre os bancos, como forma de recuperar os recursos públicos injetados no sistema durante a crise.
 
A lista de balanços nos EUA hoje também traz a Coca-Cola, Yahoo!, Apple, Delta Air Lines e Bank NY Mellon, entre outros.
 
Além dos dados corporativos, os investidores internacionais também observam um movimento de combate à inflação em países com ritmo de crescimento acelerado. Enquanto a China adota medidas para segurar o preço dos imóveis, a Índia voltou a subir os juros hoje, em 0,25 ponto porcentual, para 5,25%, dias após do aumento feito em março. A inflação atingiu 9,90% no mês passado.
 
Na Austrália, a disparada do minério de ferro também pressiona os índices de preços. O BC australiano, que já vem elevando os juros há meses, sinalizou hoje que deve voltar a aumentar as taxas, conforme a ata da última reunião.
 
Até mesmo o Canadá pode adotar viés mais conservador em breve, diante da retomada mais forte do que a esperada. Analistas acreditam que o BC canadense ainda não deve tomar medidas na reunião que acontece hoje, mas uma elevação dos juros é esperada para os próximos meses.
 
No Brasil, o aperto monetário começará agora em abril – a discussão está centrada apenas na dose. Dados de inflação de IGP-M e IPCA-15 ajudarão a montar a perspectiva para a reunião do Copom na próxima semana.

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