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Exterior aguarda com otimismo Bernanke e pistas sobre estímulos

21 de julho de 2010 | 09h14

Todo mundo já sabe que a economia dos Estados Unidos está desacelerando. Os últimos indicadores confirmaram os receios de um ritmo mais lento para a retomada do país. A discussão agora está centrada em outro ponto: existe a necessidade de adoção de novos estímulos?

Ninguém melhor do que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, para responder. É por isso que gera grande expectativa o depoimento da autoridade monetária no Senado hoje, a partir das 15 horas (de Brasília). Os mercados internacionais já mostram ânimo em antecipação e as bolsas europeias avançam mais de 1% nesta manhã, ajudadas também pelo balanço positivo da Apple ontem à noite.

Vem ganhando corpo entre os investidores a visão de que Bernanke poderia anunciar uma nova medida de estímulo. Mas, como sempre, os analistas dos bancos mostram uma avaliação bem mais pé no chão. De forma geral, eles acreditam que Bernanke deve, no máximo, discutir quais os cenários que poderiam levar a mais ações da autoridade monetária, além de manter o tom cauteloso da ata da última reunião do Fomc.

Para Ken Wattret, do BNP Paribas, Bernanke tratará a discussão de forma generalizada na sessão de perguntas e respostas do depoimento e alertará que ainda não há conclusão sobre o tema.

Ontem, circularam comentários de que o Fed poderia eliminar o juro de 0,25% pago sobre os compulsórios, como forma de estimular o crédito. “Isso não funcionou no Japão e Bernanke sabe disso”, diz Paul Donovan, do UBS.

Como o mundo corporativo anda ajudando o sentimento dos investidores, vale destacar que a agenda traz hoje os números do Morgan Stanley, Wells Fargo e Coca-Cola, antes da abertura das bolsas.

Mas o grande evento dos mercados internacionais nesta semana virá na sexta-feira, com a divulgação dos resultados dos testes de estresse dos bancos da Europa, que gera pressão vendedora sobre o euro. Aqui, credibilidade será o nome do jogo. Se a prova for fácil demais e todo mundo passar com louvor, cairá em descrédito. Agora, se as dificuldades das instituições emergirem, será importante acompanhar as medidas a serem tomadas para resolver os problemas.

No Brasil, a política monetária é o centro das atenções hoje, com a aguardada decisão do Copom sobre o rumo dos juros. Até então certos sobre uma alta de 0,75 ponto porcentual da Selic, investidores e economistas já adotam visão mais cautelosa, reforçada pela deflação (-0,09%) apresentada pelo IPCA-15 de julho.

Neste momento de atenção total ao Brasil no exterior, estão fazendo barulho os negócios anunciados pela Embraer na feira de aviação de Farnborough, no Reino Unido – além do show de Gilberto Gil hoje à noite, em Londres. Nos primeiros dois dias da feira, a Embraer fechou contratos que podem chegar a US$ 6 bilhões.

“O mercado mostra tendência de crescimento, após a queda dramática”, afirmou o diretor financeiro da empresa, Luiz Carlos Aguiar, em entrevista à Agência Estado ontem.

Às 9h17  (de Brasília), as bolsas de Londres (+1,68%), Paris (+1,78%) e Frankfurt (+1,25%) avançavam. O petróleo tinha ganho de 1,18%, para US$ 77,44 o barril, no pregão eletrônico da Nymex.

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