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Exterior aguarda Fed e monitora mercado de dívida da Europa

20 de setembro de 2010 | 09h22

A movimentação nos mercados internacionais vai girar em torno da reunião do Federal Reserve neste início de semana. Em meio às dúvidas sobre a recuperação dos Estados Unidos, a visão da autoridade monetária e qualquer sinal sobre novas medidas de estímulo funcionam como uma grande bússola para os investidores.
 
Enquanto o Fed ocupa o centro do palco nas praças globais, os problemas europeus ressurgem como motivo de atenção. Desta vez, o foco é o setor bancário da Irlanda. O país busca captar recursos no mercado amanhã, evento que será monitorado e pode mexer com o apetite por risco.
 
Por enquanto, os investidores parecem confortáveis com as perspectivas para a semana, já que as bolsas europeias e o euro operam em alta.
 
Analistas não acreditam que o Fed anunciará novas medidas de desaperto amanhã. Afinal, os últimos indicadores econômicos vieram divergentes, sem apontar para uma piora marcada da atividade.
 
“Ben Bernanke indicou que o Fomc está preparado para adotar medidas não-convencionais caso necessário, mas isso está condicionado à deterioração significativa do cenário, o que atualmente não é a visão central do Fed”, avalia Lena Komileva, diretora da corretora Tullett Prebon.
 
De qualquer forma, o comunicado da autoridade será examinado detalhadamente, em busca de sinais que apontem os próximos passos e a possibilidade de retomar o desaperto quantitativo, com a compra de títulos.
 
Além da política monetária norte-americana, o mercado de dívida da Europa deve ser outro condutor do sentimento externo. Embora tenha negado que precisará recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a Irlanda segue sob escrutínio dos investidores. No final de semana, o Financial Times trouxe a informação de que o Banco Central Europeu (BCE) teve de intervir no mercado de títulos irlandeses na sexta-feira.
 
As incertezas preocupam principalmente pelo fato de a Irlanda ter adotado rapidamente medidas drásticas de austeridade fiscal. “Se a Irlanda ainda pode ter dificuldades depois de ter feito tudo que podia antes de qualquer outro, então isso mostra os problemas potencialmente à frente de todos os créditos soberanos sob estresse”, avalia Jim Reid, do Deutsche Bank.
 
Motivo de preocupação também para Portugal, que busca levantar recursos no mercado de dívida na quarta-feira. Enquanto isso, os testes de estresse dos bancos da Grécia foram adiados, para que o país possa tomar fôlego, informou o Financial Times.

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