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Exterior deixa temor com Grécia de lado e parte em busca de ações

23 de março de 2010 | 09h39

Os investidores internacionais colocam as preocupações com a Grécia de lado e partem para as compras no mercado de ações. O ânimo é estimulado pelo noticiário corporativo, com resultados favoráveis e movimentação na área de aquisições.
 
Mas as tensões com o impasse para a solução do caso grego permanecem como pano de fundo, tanto que o euro não encontra espaço para subir. Com tantas declarações de autoridades a respeito do assunto, fica difícil montar um cenário
firme para os desdobramentos da crise na Grécia.
 
O clima de incertezas é quebrado nesta manhã pela oferta de 1,3 bilhão de libras da Babcock International, do setor de engenharia e manutenção, pelo rival VT Group. Também contam os números considerados positivos da empresa de petróleo Cairn Energy e da seguradora Legal & General, no Reino Unido. Além disso, os efeitos da greve dos funcionários da British Airways foram menores do que o previsto, ajudando as ações da empresa.
 
As informações aliviam a ansiedade com a reunião do Conselho Europeu, na quinta e sexta-feira. Até agora, não é possível saber se a zona do euro dará suporte financeiro para a Grécia – e esse ponto de incerteza segue atazanando os mercados,
que não consegue extrair uma conclusão do falatório das autoridades. 

 
As declarações do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, não foram bem recebidas pelos analistas. Ele não excluiu a possibilidade de apoio, mas disse que a ajuda teria de ser sem concessões e vantagens. Ou seja, na prática eliminou a possibilidade de empréstimos a juros mais baixos, como precisa a  Grécia, concluíram especialistas.
 
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, tenta obter apoio para um novo instrumento de ajuda ao país. Mas a chanceler alemã, Angela Merkel, ontem foi ainda mais taxativa: afirmou explicitamente que o Fundo Monetário
Internacional (FMI) deve ser considerado.
 
Enquanto isso, a situação econômica da Grécia se deteriora. O banco central do país estima que o Produto Interno Bruto (PIB) terá queda de 2% neste ano. Os economistas do Deutsche Bank preveem resultado bem pior, de -4%.
 
Os déficits fiscais são cada vez mais apontados como uma ameaça para a recuperação da atividade na Europa, após a grave crise global. Para a economista-chefe para a Europa do HSBC, Janet Henry, a zona do euro deve verificar estagnação no primeiro trimestre deste ano, considerando a redução dos efeitos dos estímulos econômicos e o inverno rigoroso. A perspectiva é de retomada a partir do segundo trimestre, com crescimento de 1,2% no ano.

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