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Exterior em clima de incerteza com perspectiva de desaperto por bcs

29 de setembro de 2010 | 09h12

A recuperação fraca nos Estados Unidos e os temores renovados com a situação fiscal na Europa criam um ambiente de incertezas nos mercados internacionais nesta quarta-feira. Vai ganhando força a percepção de que os bancos centrais terão de voltar a agir para dar suporte à economia.

Essa atuação não deve ficar apenas nos ombros do Federal Reserve. Cresce a avaliação de que outros bcs também terão de atuar novamente. Nesse ambiente, o desafio para os investidores é traçar a estratégia adequada. Por enquanto, os ativos de risco ficam travados e o dólar segue perdendo espaço.

Aliás, a “guerra cambial” entrou de vez para o centro das discussões. A expressão foi admitida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, virou manchete do Financial Times e se transformou no centro das questões da imprensa estrangeira na coletiva do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ontem em Londres.

Ele afirmou que o Brasil “não pode pagar o preço” pelos desequilíbrios no mercado mundial de câmbio, sob o risco de prejudicar a competitividade interna. E disse também que o governo “nunca descartou” elevar o IOF sobre o capital externo – sem falar em prazo. Mais tarde, Mantega sugeriu que não seria para já.

Enquanto países como Brasil e Japão lutam contra a apreciação cambial, os Estados Unidos não têm motivos para reclamar do dólar mais fraco. A tendência de queda da moeda é reforçada pela perspectiva de mais afrouxamento monetário, já dado praticamente como certo. “Sem dúvida vamos ouvir mais reclamações dos Brics sobre a necessidade de uma nova moeda de reserva”, diz Chris Turner, estrategista de câmbio do ING.

Para o Danske Bank, o tema continua dominando as discussões, com impacto sobre o sentimento dos investidores, já que os indicadores econômicos fracos aumentam a possibilidade de que o Fed, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra adotem novas medidas de estímulo.

No Japão, a pesquisa trimestral tankan sobre o sentimento das grandes empresas mostrou melhora em setembro, para 8, no maior nível desde março de 2008. No entanto, as perspectivas das empresas para o próximo trimestre se mostram mais cautelosas. A economista Lindsay Coburn, do ING, acredita que a demanda japonesa não está tão fraca como temido, mas as companhias esperam retração. “O tankan revela um pessimismo enraizado.”

Na China, a situação é muito mais favorável. O índice de atividade industrial medido pelo HSBC subiu para 52,9 em setembro, de 51,9 no mês anterior.

A informação, no entanto, não é suficiente para animar os investidores nesta manhã. A situação da Irlanda também segue monitorada, diante da expectativa de novo aporto do governo para o Anglo Irish Bank.

Num dia de agenda fraca no exterior, as bolsas de Londres (+0,12%), Paris (+0,36%) e Frankfurt (+0,26%) subiam às 9h11 (de Brasília).

O euro avançava a US$ 1,3604, de US$ 1,3590 no fechamento de ontem em Nova York. A libra operava a US$ 1,5802, de US$ 1,5802. O dólar também caía em relação à moeda japonesa, a 83,70 ienes no mesmo horário (acima), de 83,89 ienes na véspera.

O petróleo tinha ganho de 0,24%, para US$ 76,35, no pregão eletrônico da Nymex.

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