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Exterior mostra ânimo em semana de política monetária nos EUA

26 de abril de 2010 | 09h55

A política monetária dos Estados Unidos deve ser o principal tema dos mercados internacionais nesta semana. Como a recuperação econômica ganha velocidade, cresce a atenção sobre o caminho a ser adotado pelo Federal Reserve para a sua estratégia de juros extremamente baixos.
 
A mensagem a ser emitida pelo Fomc na quarta-feira – mesmo dia da decisão do Copom no Brasil – afeta investidores no mundo todo. Afinal, é a liquidez criada pelos bancos centrais que patrocina a consistente valorização dos ativos no último ano.
 
Hoje, aliás, os mercados dão mais uma mostra de disposição para a compra de ações, o que sustenta em alta as principais bolsas da Europa. O mercado acionário inclusive se descola das preocupações sobre o risco soberano exibidas pelo euro e ativos de crédito europeus, diante da arrastada crise na Grécia.
 
O alívio trazido pela ativação do pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) parece ter durado pouco no mercado cambial. As atenções se voltam agora para as negociações entre os países, que devem levar a novas exigências de aperto fiscal. A dureza da Alemanha para a liberação dos recursos é um dos principais obstáculos.
 
Para os investidores, o radar está concentrado na data de 19 de maio, quando a Grécia tem vencimentos de 8,5 bilhões de euros. A ajuda precisa, portanto, chegar antes disso.
 
Nos últimos dias, não foram somente os ativos de crédito gregos que sentiram o peso da desconfiança. Outros países periféricos também vêm sofrendo, principalmente Portugal.
 
Enquanto acompanha o desenrolar da odisseia, os investidores percebem a retomada da atividade tomando conta das economias, como mostraram os indicadores recentes na Europa e Estados Unidos, sem falar dos emergentes que avançam com rapidez.
 
A pergunta de um trilhão de dólares é saber quando o Federal Reserve irá remover o tão famoso compromisso de manter os juros em nível extremamente baixos. Muitos analistas acreditam que não será agora, na reunião desta quarta-feira.
 
O desempenho favorável dos ativos de risco neste início de semana também não sinaliza grandes temores. Mas, até lá, fica presente uma certa apreensão. Mesmo que a frase não seja excluída do texto, todos irão buscar indicações nas entrelinhas.
 
Na China, onde há risco de superaquecimento, o governo voltou a tomar medidas para brecar os financiamentos imobiliários e segurar a disparada dos preços dos imóveis. Há rumores de que Pequim também poderá adotar um imposto sobre o setor de moradias para conter a especulação.
 
Já o Brasil inicia nesta semana um novo ciclo de alta dos juros. A discussão está concentrada apenas na dose, se 0,50 ou 0,75 ponto porcentual. No final de semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse em Washington que a autoridade não está atrás da curva e que continuará sendo rigoroso no cumprimento de metas.
 
A reunião dos ministros de Finanças do G-20 terminou sem uma conclusão sobre os impostos sobre os bancos recomendado pelo FMI. Na verdade, o tema expôs mais um contraste entre emergentes e desenvolvidos. Apesar de apoiarem a reforma do sistema financeiro, os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) avaliam que os seus bancos não precisam de maior taxação, afinal não tiveram os mesmos problemas registrados em países desenvolvidos.

O tema certamente voltará a ser discutido na reunião de cúpula do grupo em junho, no Canadá.

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