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Exterior reage mal a Portugal e, com Grécia, euro e bolsas afundam

24 de março de 2010 | 09h51

As principais moedas europeias vivem uma manhã de acentuada instabilidade. Dados positivos sobre a economia da região não impedem a forte desvalorização do euro, como reflexo do corte do rating de Portugal e dos problemas que ainda rondam a Grécia. A moeda afunda, leva junto as commodities e deixa as bolsas europeias no terreno negativo. A expectativa sobre o orçamento do Reino Unido, a ser divulgado mais tarde, também prejudica a libra.
 
Os elevados déficits da zona do euro seguem como o tema mais sensível para os mercados. Há pouco, a Fitch rebaixou a nota de Portugal para AA-, com perspectiva negativa. Para a agência, a expectativa de recuperação econômica do país é mais fraca do que em outras nações do bloco. Isso implica a necessidade de medidas de consolidação consideráveis.
 
As incertezas na região acabam encobrindo dois indicadores importantes na manhã de hoje, que superaram largamente as projeções. A confiança do empresariado na Alemanha, medida pelo Instituto Ifo, atingiu 98,1 em março, acima da estimativa de 95,9. É o nível mais elevado em dois anos e deixa para trás a queda registrada em fevereiro, quando o inverno rigoroso pesou sobre a economia, conforme a Dow Jones.
 
“Depois de uma virada de ano difícil, a atividade deve ganhar força no final do primeiro e nos próximos trimestres”, avalia Violante di Canossa, do Credit Suisse.
 
Além disso, o índice de atividade composto dos gerentes de compras (PMI) da zona do euro marcou 55,5 em março, melhor do que a expectativa de 53,5. São números fortes, que indicam melhoria da economia da Europa, tão fragilizada pela crise.
 
Mas nada disso é suficiente para estimular o euro. Ao contrário: a moeda opera sob pressão intensa, abaixo de US$ 1,34. Para o ING, a divisa pode bater em US$ 1,30. A moeda está claramente sofrendo com a indefinição sobre uma ajuda para a Grécia. A situação se arrasta com as diversas declarações das autoridades, que não levam a conclusão nenhuma.
 
Nas últimas horas, cresceu ainda mais a perspectiva de que o país poderá mesmo acabar recorrendo ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Conforme as informações mais recentes, a França teria concordado com a posição já abertamente defendida pela Alemanha. Analistas aguardam ansiosos por uma luz para a odisseia grega a partir de amanhã, quando começa a reunião do Conselho Europeu.
 
A libra também está em xeque hoje, quando as atenções se voltam para o orçamento do Reino Unido. A estratégia do governo ganha destaque no contexto de disputa eleitoral do país. Analistas avaliam que este pode ser o último orçamento apresentado pelo ministro de Finanças Alistair Darling, já que o Partido Conservador, de oposição, lidera as pesquisas, ainda que com margem cada vez mais estreita.
 
Para os investidores, um ponto importante é a possibilidade de o governo impor taxação sobre os bancos, como forma de recuperar os bilhões de libras injetados no sistema para salvar instituições financeiras durante a crise. O Financial Times diz hoje que chegou o momento de os bancos devolverem o dinheiro, já que Darling deve anunciar um novo imposto. O governo britânico defende que a medida seja coordenada com o G-20.
 
“Se um novo imposto para o setor bancário for anunciado hoje, poderá afetar fortemente a indústria de serviços e a libra”, avalia o estrategista de câmbio do ING, Chris Turner. Para o Unicredit, caso as medidas de cortes de gastos propostas pelo governo venham muito brandas, o suporte da moeda britânica de US$ 1,50 será “seriamente testado”.

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