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Exterior se protege contra possível ação mais tímida do Fed

27 de outubro de 2010 | 08h14

Já está na conta dos investidores internacionais que virá uma nova rodada de desaperto monetário nos Estados Unidos. Tudo agora depende do tamanho da dose de injeção de liquidez a ser anunciada pelo Federal Reserve na próxima semana. Em clima de forte ansiedade, os mercados passam a se proteger contra uma ação mais tímida da autoridade, o que limitaria a exposição ao risco.

Levanta cautela hoje a informação trazida pelo The Wall Street Journal de que o programa de compra de títulos pode ser menor do que se espera. Segundo o jornal, o Fed deve gastar poucas centenas de bilhões de dólares ao longo de vários meses, em contraste com os US$ 2 trilhões colocados durante a crise financeira. A ideia é usar os recursos conforme a necessidade da economia, segundo apontou também recentemente o Financial Times.

Como os investidores estão todos na mesma ponta e pesadamente vendidos em dólar, a opção é fazer algum ajuste de posições antes da reunião de 3 de novembro. A estratégia deixa a moeda norte-americana respirar hoje e, consequentemente, pesa sobre as ações e commodities no exterior.

Esse será o dia-a-dia dos mercados internacionais até o aguardado anúncio. Confere-se a agenda de indicadores e os balanços, é claro, mas nada ganha importância comparável à decisão do Fed, capaz de mexer com as estratégias de investimento mundo afora.

Tanto que diversos países estão recebendo enxurrada de recursos como resultado da política ultra acomodatícia dos EUA, movimento que afeta diretamente o Brasil. Ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a dizer que os emergentes não podem arcar com as consequências da política expansionista das nações mais ricas. “Não há dúvida de que o Brasil hoje está pagando o preço do sucesso. Não podemos permitir que o preço seja muito elevado”, afirmou a jornalistas, em Nova York.

A preocupação, obviamente, não é exclusividade das autoridades brasileiras. O presidente do BC da Coreia do Sul, Kim Choong Soo, disse hoje que o país poderá ter de preparar medidas para lidar com os fluxos de capital e mostrou-se preocupado com os efeitos da entrada de recursos sobre a economia. A formação de bolhas é uma possibilidade citada por diversos especialistas.

Enquanto nervosamente esperam o tempo passar, os investidores acompanham a agenda dos EUA, que traz nesta quarta-feira as encomendas de bens duráveis (às 10h30, de Brasília) e as vendas de imóveis novos (12 horas).

Não passou em branco entre os analistas a morte do polvo Paul, que tanta inveja provocou ao acertar os resultados da Copa do Mundo. “Ele levará os segredos do seu sucesso e nos deixará como simples mortais para decifrar como será o formato do desaperto (do Fed) e qual impacto terá”, brinca o estrategista-chefe do Deutsche Bank, Jim Reid, em comentário aos clientes.

Às 8h12, o euro subia para US$ 1,3832, de US$ 1,3855 no fechamento de ontem em Nova York. A libra passava a US$ 1,5847, de US$ 1,5834. O dólar caía a 81,64 ienes, de 81,47 ienes na véspera.

As bolsas de Londres cedia 0,50%, Paris tinha alta de 0,17% e Frankfurt tinha ganho modesto de 0,04%. O petróleo recuava 1,02%, a US$ 81,71.

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